Severino é o típico trabalhador brasileiro, que nasceu nessa vida, acorda cedo para servir ao próximo. Guardadas as devidas proporções, tal qual o Severino do programa humorístico vivido pelo ator Paulo Silvino, no quadro em que ele era chamado para servir de parte do cenário.
Cheguei ao ponto de ônibus e lá estava esse Severino, e não aquele, varrendo o chão da parada de ônibus, quando observei no parapeito da mureta uma Bíblia pequena, daquela que os Gideões da Fé distribuem. Por analogia, dei conta de que foi ele quem a pôs em cima da paredinha, depois de vê-la no chão e apanhá-la.
Confirmado pelo próprio, disse que nunca jogava fora objetos que considerava importantes. Tais como: imagens; sempre as colocava em algum lugar quando não as levava para casa; folhetos bíblicos punha-os no bolso; até enchia os bolsos de tampinhas de garrafa para levar aos colegas que trabalham com reciclagem.
Como sempre, tais atitudes não posso deixar passar despercebidas. Tenho que registrar. Mostrar a ele próprio e a outros a importância do seu trabalho, o qual só é valorizado mediante estado de greves. Quando a ausência dos garis nas ruas faz exalar o perfume fétido nada engraçado dos nossos consumos.