A obra “Martírio de Tiradentes” (1893), de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo, é um óleo sobre tela que representa Joaquim José da Silva Xavier momentos antes de sua execução, construindo uma imagem mítica e religiosa do herói republicano. A pintura destaca Tiradentes no patíbulo com semblante sereno, cabelos longos e túnica branca, aludindo ao sacrifício de Cristo”. Google Arts & Culture +4.
Longe de mim analisar de forma técnica qualquer pintura de qualquer artista em qualquer época, posto ser uma responsabilidade a qual deixo com especialistas. Nesse caso, como descrito acima com todas as honrarias a quem honra, honra. Cabendo apenas admirar tamanha expressão dos que estão ao seu derredor, bem como alguns aspectos que, aí sim, posso de forma teológica interpretar.
Donde podemos observar o rosto do homem negro, tapado pelas suas próprias mãos, a fim de esconder talvez as lágrimas que lhe escorrem, e/ou relembrando a história do seu também irmão de raça, Simão Cirineu, desta feita, ao invés de ajudar na sua caminhada até o calvário, lhe é determinada a missão de encapuzar, para depois puxar a alavanca do alçapão.
Doutro lado, eis um sacerdote demonstrando também sofrimento, numa alusão àquele que o tem como representante na terra, a erguer perante o olhar sereno de Tiradentes o crucifixo que melhor representação não há do que foi falado por aquele que o carregou em tamanho natural, sob os auspícios da pomba sobre seus ombros: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”.