Ao longo da minha vida, aprendi que existem valores que não podem ser negociados: a honestidade, o respeito, a liberdade e a dignidade humana. São princípios que levo comigo e que me fazem acreditar que a democracia é muito maior do que partidos, candidatos ou disputas pelo poder.
Para mim, democracia é poder olhar nos olhos de alguém que pensa diferente e, ainda assim, estender a mão com respeito. É defender minhas convicções sem querer impor minhas ideias, é ter coragem de discordar sem transformar o outro em inimigo. Afinal, nenhuma divergência política deveria ser capaz de destruir aquilo que temos de mais precioso: nossa humanidade.
Como cidadão, aprendi a valorizar a responsabilidade, o respeito e o compromisso com o próximo. Acredito que esses valores também devem orientar a vida pública. Quem recebe a confiança do povo tem a obrigação de honrá-la. O poder não é propriedade de quem governa; é uma responsabilidade confiada por aqueles que trabalham, lutam e sonham com um país melhor.
Confesso que me entristece ver famílias divididas, amizades desfeitas e pessoas que antes se abraçavam agora se tratando como inimigas por causa da política. Será que vale a pena vencer uma discussão e perder um amigo? Ter razão aos próprios olhos e deixar para trás o respeito, o carinho e a consideração por alguém?
Eu acredito que não.
Os políticos passam. Os governos mudam. Os mandatos terminam. Mas as marcas que deixamos no coração das pessoas podem permanecer por toda a vida.
Por isso, não quero uma democracia em que todos pensem como eu. Quero uma democracia em que todos tenham o direito de pensar, falar, escolher e viver com liberdade, dentro do respeito às leis e aos direitos de cada pessoa.
Que jamais percamos a capacidade de ouvir, de dialogar e de reconhecer que, antes de qualquer partido ou ideologia, somos seres humanos, cidadãos de um mesmo país e responsáveis pelo futuro das próximas gerações.
Defender a democracia é defender o direito de discordar sem odiar, de divergir sem desrespeitar e de lutar por nossas ideias sem perder a essência de quem somos.
Porque, no fim da vida, não serão nossas disputas políticas que definirão o nosso valor, mas a dignidade com que vivemos, o respeito que oferecemos e o legado de humanidade que deixaremos.
Essa é a democracia em que acredito. Esse é o país que desejo para meus filhos, meus netos e todos os brasileiros.
Com liberdade, responsabilidade e respeito, podemos pensar diferente sem deixar de caminhar juntos.