A polarização política não apenas volta em época de eleição, ela escancara nossas fragilidades como sociedade.
Direita e esquerda, que deveriam representar caminhos diferentes para resolver problemas reais, acabam virando rótulos que afastam pessoas. De um lado, quem acredita mais na liberdade individual, na responsabilidade e na menor interferência do estado. Do outro, quem defende a atuação estatal como ferramenta de justiça social e redução das desigualdades. São visões distintas, ambas legítimas.
Mas o que vemos, na prática, é outra coisa. O debate se perde. Vira ataque, ironia, desprezo. E o mais preocupante vira uma tentativa constante de desumanizar quem pensa diferente.
Um exemplo que sempre me faz refletir são as forças de segurança. Em tese, pela própria natureza de proteger a coletividade, garantir direitos e servir ao público, seria razoável imaginar uma identificação maior com ideias mais próximas da esquerda, que defendem o papel do estado. Mas a realidade mostra outra coisa; a maioria desses profissionais tende a se alinhar à direita.
Isso invalida alguém? Torna essas pessoas incoerentes? Ou será que a vida real é mais complexa do que os rótulos ideológicos que insistimos em impor?
Talvez a resposta esteja justamente aí. Quem vive a prática diária da segurança pública enxerga o mundo por outra lente, diferente da teoria, dos discursos e das promessas. E isso não é contradição, é experiência.
No fim, a pergunta que fica é simples, mas incômoda: por que precisamos encaixar pessoas em caixas tão estreitas?
Se alguém se identifica com a esquerda, isso não o torna melhor. Se alguém se inclina à direita, isso não o torna pior. O problema começa quando a política deixa de ser escolha e passa a ser motivo de hostilidade, desonestidade e corrupção.
A democracia não exige que pensemos igual. Exige que saibamos conviver, mesmo quando pensamos diferente. E talvez seja exatamente isso que estamos desaprendendo.
Diógenes Pereira da Silva
Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG