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Do céu ao inferno

Diógenes Pereira da Silva
Publicado em 23/07/2026 às 18:55
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A Copa do Mundo de 2026 tem mostrado o quanto o futebol é capaz de levar um torcedor do céu ao inferno em poucos minutos. A seleção argentina faz sua torcida sofrer durante as partidas, mas, no fim, o empate ou a vitória transformam a angústia em festa.

Um fato, porém, é inegável: perder não parece ser uma opção para a seleção argentina. Isso se reflete na postura de seus jogadores, que demonstram entrega do primeiro ao último minuto. Não existe jogada perdida nem bola considerada irrecuperável. Essa disposição, aliada à competitividade, deveria servir de exemplo para a Seleção Brasileira, que muitas vezes possui mais talento individual, mas nem sempre demonstra a mesma intensidade e espírito de luta.

Nunca fui simpatizante da torcida argentina. Em junho de 1988, quando cursava o Curso de Formação de Sargentos da Academia da Polícia Militar de Minas Gerais, participei do policiamento da decisão da primeira Supercopa Libertadores entre Cruzeiro e Racing. O clube argentino venceu o primeiro jogo por 2 a 1, em Avellaneda, e conquistou o título ao empatar por 1 a 1 no Mineirão, em Belo Horizonte.

A derrota do Cruzeiro não justifica o comportamento de parte da torcida visitante. Presenciei cenas lamentáveis de violência e racismo, com torcedores imitando macacos para ofender pessoas negras. As provocações desencadearam uma briga generalizada, exigindo uma atuação intensa da Polícia Militar.

Infelizmente, episódios de racismo envolvendo parte da torcida e, em algumas ocasiões, até de jogadores argentinos não são recentes. Por isso, as ofensas dirigidas ao atacante francês Kylian Mbappé e à sua família não deveriam causar surpresa, mas sim indignação e punição exemplar.

O futebol desperta paixões e rivalidades, mas nenhuma vitória justifica o preconceito. Que a garra e a determinação da seleção argentina sirvam de exemplo dentro das quatro linhas, mas que seus lamentáveis episódios de racismo jamais sejam tolerados ou tratados como parte da cultura do futebol. Rivalidade se respeita; racismo se combate.

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