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Eleições presidenciais: precisamos colocar os fatos acima das suspeitas

Diógenes Pereira da Silva
Publicado em 31/10/2026 às 10:53
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Como cidadão, acredito que temos o direito e o dever de questionar os acontecimentos políticos, mas também a responsabilidade de analisar os fatos com equilíbrio, sem deixar que nossas preferências partidárias falem mais alto que a razão.

Sobre o segundo turno das eleições presidenciais, três pontos merecem nossa reflexão.

O primeiro é a decisão do ministro Zanin de prorrogar o prazo de votação. A medida foi solicitada tanto pelo PT quanto pelo PL, sob alegações de dificuldades de transporte e alagamentos. Mesmo considerando os cerca de 35 mil votos mencionados nesse debate, a diferença superior a quatro milhões de votos entre os candidatos mostra que não se pode atribuir a esse episódio, isoladamente, o resultado da eleição.

O segundo ponto é o comportamento do eleitorado. Flávio Bolsonaro também aumentou sua votação no segundo turno, mas Lula conseguiu reunir apoio suficiente para vencer. Isso nos leva a considerar que o resultado não depende apenas da transferência de votos entre candidatos, mas também da capacidade de conquistar novos eleitores.

O terceiro ponto está nos resultados regionais. Em Minas Gerais, Lula reverteu a desvantagem do primeiro turno e venceu no segundo. Na capital paulista, também saiu vitorioso, embora Flávio Bolsonaro tenha vencido no conjunto do estado de São Paulo. São sinais de que muitos eleitores reavaliaram suas escolhas, reforçando a importância de compreender a eleição para além de interpretações simplistas.

Na minha visão, uma campanha eleitoral não se decide apenas por números ou alianças políticas. O discurso, a postura, o respeito às diferenças e a capacidade de dialogar com a população também pesam na decisão de cada cidadão.

O que me preocupa é ver suspeitas sem provas alimentarem divisões que acabam ultrapassando a política e chegando às famílias, às amizades e à convivência entre brasileiros. Já vimos como a radicalização pode trazer consequências graves, sobretudo para pessoas que acreditam estar defendendo uma causa, enquanto muitos daqueles que incentivam o confronto não enfrentam os mesmos custos.

Como cidadão, entendo que questionar é legítimo, mas acusar exige provas. Antes de alimentar teorias da conspiração, precisamos olhar para os fatos, respeitar a vontade expressa nas urnas e compreender que a democracia é maior do que qualquer partido ou candidato. O Brasil precisa de menos intolerância e mais responsabilidade.

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