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O Brasil que chamou a cor de defeito

Diógenes Pereira da Silva
Publicado em 23/04/2026 às 19:59
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Uma história de um país que transformou a cor da pele em critério de exclusão e ainda convive com as consequências.

O Brasil não nasceu desigual por acaso. Foi construído assim. E poucas expressões revelam isso com tanta clareza quanto “defeito de cor”.

Durante séculos, a cor da pele funcionou como critério de exclusão. Ser negro, no Brasil dos séculos XVIII e XIX, não era apenas uma condição. Era uma condenação social. Transformaram a cor em falha, em mancha, em justificativa.

Não foi algo espontâneo. Foi um sistema.

O Exército, a Igreja Católica e outras instituições consolidaram essa lógica. Para um negro ocupar espaços de destaque, não bastava competência. Era preciso negar a própria origem, adequar-se, submeter-se.

Em muitos casos, pedir desculpas por ser negro não porque fosse necessário, mas porque era exigido.

Isso não é detalhe histórico. É estrutura.

Quando se fala em reparação, ainda surgem discursos que tentam minimizar esse passado. Como se a abolição tivesse resolvido tudo. Não resolveu.

Após 1888, a população negra foi deixada à margem. Sem acesso à educação, sem inserção digna no trabalho, sem qualquer política de integração. Liberdade sem condição é abandono.

O “defeito de cor” foi um mecanismo de exclusão institucionalizado. Mesmo livres, negros e mestiços eram impedidos de ocupar cargos públicos relevantes, de avançar nas estruturas militares ou de ter espaço no clero. A cor definia limites, e esses limites eram rígidos.

Hoje, muitos tratam esse passado como distante. Mas seus efeitos permanecem. A desigualdade não é coincidência. É herança. A literatura ajuda a expor o que a história muitas vezes silenciou. Em “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, essa realidade aparece com profundidade.

Reconhecer esse processo não é olhar para trás por conveniência. É entender o presente. Negar o passado não o apaga. Só prolonga suas consequências.

Diógenes Pereira da Silva

Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG

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