Circula nas redes sociais um vídeo em que o jornalista Juca Kfouri responde a uma pergunta incômoda: por que Pelé, reconhecido mundialmente como o maior jogador de todos os tempos, não desperta no Brasil a mesma devoção que Maradona desperta na Argentina? A resposta foi simples e impactante: “Porque ele é preto”.
Concorde-se ou não com essa afirmação, ela nos obriga a refletir. Como explicar que o único jogador tricampeão mundial, eleito o Atleta do Século e responsável por colocar definitivamente o futebol brasileiro no mapa do mundo, ainda tenha seu legado frequentemente relativizado?
Talvez a questão não esteja apenas no futebol. Talvez revele a dificuldade histórica que o Brasil tem de reconhecer, em toda a sua dimensão, a grandeza de um homem negro que alcançou o topo do esporte mundial.
Mais do que uma discussão sobre Pelé, trata-se de uma reflexão sobre nós mesmos. Afinal, quando o maior de todos ainda precisa ter sua importância constantemente reafirmada, a pergunta que permanece não é sobre o futebol. É sobre a sociedade brasileira.