Tenho assistido às propagandas políticas na televisão e, sinceramente, algumas me fazem pensar.
Vejo deputados e senadores, alguns já no terceiro ou quarto mandato, dizendo que agora é preciso mudar, diminuir gastos, melhorar a saúde, a segurança, a educação e resolver tantos outros problemas.
Mas fica uma pergunta: se tudo isso precisava ser feito, por que não fizeram antes?
Não estou dizendo que um político não possa mudar de ideia ou apresentar novas propostas. Todos nós podemos. O que me incomoda é ver quem está há tantos anos no mandato falar hoje como se tivesse acabado de descobrir problemas que a população enfrenta há muito tempo.
Também chama atenção o espaço que os ataques aos adversários ocupam nas propagandas. Um critica o outro, a situação culpa a oposição, a oposição culpa a situação, e o eleitor acaba ouvindo muita briga e pouca proposta.
Eu gostaria de ver uma campanha diferente: menos ataques e mais conteúdo. Que cada candidato explicasse o que pretende fazer, como pretende fazer e, principalmente, mostrasse o que já fez quando teve oportunidade.
Porque prometer é fácil. Difícil é apresentar resultados.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja “o que você promete fazer?”, mas “o que você fez quando teve a oportunidade?”. É olhando para o passado, ouvindo as propostas do presente e cobrando coerência que o eleitor pode tomar uma decisão mais consciente.
Política não deveria ser apenas convencer alguém a votar. Deveria ser assumir responsabilidade por aquilo que se promete e, depois da eleição, prestar contas do que realmente foi feito.
E nós, eleitores, também temos uma responsabilidade: não aceitar discurso pronto como verdade. Precisamos perguntar, comparar e pensar. Afinal, depois que termina a propaganda, quem fica com as consequências das escolhas somos todos nós.