Uberaba é uma das cidades mais importantes do estado e do Brasil. Referência nacional na pecuária zebuína, sede da ABCZ e palco da ExpoZebu, construiu uma trajetória de protagonismo no agronegócio. No entanto, essa força econômica não tem se convertido em representatividade política no cenário estadual e federal.
É difícil compreender como um polo estratégico para Minas Gerais e para o país não mantenha presença consistente na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Representatividade não é vaidade. É ferramenta de desenvolvimento. Deputados articulam emendas, defendem interesses regionais e direcionam investimentos que impactam diretamente a economia local.
Um fato relevante não pode ser ignorado. Cidades menores, como Ituiutaba, Araguari, Patrocínio e Paracatu, conseguem eleger e manter representantes. Mesmo com população inferior à de Uberaba, demonstram maior capacidade de articulação política. Isso revela que o problema não está no tamanho da cidade, mas na estratégia adotada.
A fragmentação interna é um dos entraves. Muitos candidatos disputam o mesmo eleitorado e dividem votos que, somados, poderiam garantir ao menos uma cadeira. Falta unidade, planejamento e visão coletiva. Soma-se a isso o sistema proporcional, que exige desempenho partidário além da votação individual.
Uberaba possui localização privilegiada, tradição empreendedora e grande potencial industrial ainda pouco explorado. Com representação forte, poderia ampliar investimentos em infraestrutura, fortalecer a agroindústria, atrair empresas e gerar empregos.
A pergunta é inevitável: até quando Uberaba será gigante na economia e discreta na política?
Desenvolvimento exige articulação e união. Transformar força econômica em força política é passo necessário para garantir um futuro mais próspero e competitivo para a cidade.
Diógenes Pereira da Silva
Tenente do Quadro de Oficiais da Reserva Remunerada da PMMG