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A incerteza

Dom Paulo Mendes Peixoto
Publicado em 27/03/2026 às 17:45
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A incerteza é um estado de espírito de quem está envolvido numa total indefinição, acomodado e incapaz de projetar atitudes de progresso e construção de realidades novas. Assim acontece com o cristão desanimado, que não consegue sair da mesmice e não dá passos para um encontro pessoal com Jesus Cristo. Mesmo com a riqueza da Quaresma, chega à Semana Santa com o coração vazio.

A imobilidade não deve ser a consequência para aquele que escuta e absorve as indicações da Palavra de Deus. Também, quem pratica atos de nível indesejável revela incapacidade para entender que o ser humano foi projetado para construir o bem e é motivado para isso. Não é saudável a pessoa ficar na condição de acomodada e improdutiva, porque é prejuízo para si e para toda a sociedade.

O contexto reflexivo que se vive durante a Semana Santa, com início no Domingo de Ramos, revela a condição da humanidade de Jesus Cristo, Deus feito Homem, para consolidar as pessoas como seres humanos. A Paixão sofredora e humana do Mestre evidencia o nivelamento e a condição de ser identificado e solidário com todos os escanteados, flagelados e sofredores alhures pelo mundo.

A conquista da plenitude sobrenatural da vida não pode ficar no campo da incerteza, no clima de desilusão e total fechamento em relação a Deus. O caminho apresentado por Cristo é a simplicidade e capacidade de sublimação dos que são desprezados e frágeis. É na prática da servidão, do esvaziamento existencial que está a força de Deus, e faz dos humildes instrumentos de construção de seu Reino.

A incerteza não pode ser fruto ou reflexo de neutralidade, de descompromisso com a vida do outro, como faziam os fariseus no tempo de Jesus. Preocupavam-se com atos simplesmente externos, como lavar copos (cf. Mc 7,4), e não davam atenção aos necessitados presentes na comunidade. Não eram atitudes de incerteza, mas de hipocrisia e legalismo, motivo de duras críticas de Jesus.

Para Jesus, a vida é sustentada por situações concretas, por atitudes realmente verdadeiras, não através de incertezas, realizadas simplesmente a partir de ideias. Os gestos falam mais alto do que as palavras, por não ficar na neutralidade e nem no descompromisso. Foi justamente esta a atitude de Jesus, chegando a ser condenado e levado ao martírio, crucificado brutalmente numa cruz.

 Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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