ARTICULISTAS

Excelência do amor

Dom Paulo Mendes Peixoto
Publicado em 08/05/2026 às 18:37
Compartilhar

Na visão bíblica, o genuíno amor é descrito com as marcas profundas da paciência e da bondade. Quem ama de verdade não é orgulhoso, nem invejoso, vanglorioso, inconveniente, egoísta e não se irrita com facilidade (cf. ICor 13). Amar é praticar os Mandamentos do Senhor, impulsionados por ele mesmo, através do Espírito Santo, recebido no Batismo e reafirmado no Sacramento da Confirmação.

Importa hoje dar razão da nossa esperança, fundamentada no amor ao próximo, especialmente aos mais necessitados. Essa é uma atitude dissonante em relação à cultura do individualismo, que não é capaz de partilhar o que é acumulado. Não é possível amar com o coração petrificado e incapaz de dar passos de despojamento e valorizar a pessoa do outro, objeto para a prática do amor.

No ambiente vivido pelos primeiros cristãos, quando ainda não existia o espírito totalmente consumista de exclusão, a prática do amor fraterno era muito mais consistente. No livro dos Atos dos Apóstolos são citadas comunidades que experimentavam o verdadeiro amor, onde tudo era partilhado, podendo atender às necessidades das pessoas menos favorecidas, evitando exclusão (cf. At 4,32-37).

Há um desafio espantoso ao falar de excelência do amor em um país profundamente mergulhado nas atitudes de desamor. Amar é dar vida para o outro e não causar morte alheia. Morte em todos os sentidos, porque tudo que tira a possibilidade da defesa de uma vida saudável acaba contribuindo para a morte. Isto está subjacente na destruição da natureza, que foi criada para dar condição de vida.

Não é caminho correto e nem saudável ir na contramão da vontade de Deus. Aliás, essa atitude passa a ser uma autoafronta, contra o amor projetado na criação. Existe um crescente adoecimento da sociedade em relação ao amor. Parece até um contrassenso diante do bonito avanço da tecnologia, que não favorece a fraternidade. Pelo contrário, torna as pessoas mais desumanas e carentes de amor.

Amar não é uma simples confiança, mas adesão de vida, de autêntico compromisso com o outro. Foi o que fez Jesus, porque conseguiu amar até quando pendurado numa cruz, ao dizer: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” (Lc 23,34). Aí está a excelência do amor, caminho de sofrimento e paixão, que não tem medida, nem limite e chega à doação total de vida.

 Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por