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O que vemos hoje

Dom Paulo Mendes Peixoto
Publicado em 30/04/2026 às 18:22
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Não é exagero dizer que hoje vemos uma sociedade marcada pela força incisiva da competição e pelo individualismo. Uma realidade que é alimentada pelos propósitos ao decidir pelas guerras assassinas, pelas diversas organizações criminosas, na polarização das escolhas políticas, sociais, econômicas e religiosas. Interessante que Jesus, alheio a isso, diz: “Quem me vê vê o Pai” (cf. Jo 14,9).

Encerramos a 62ª Assembleia Geral da Conferência dos Bispos, em Aparecida, com a presença de mais de trezentos bispos de todas as dioceses do Brasil. Foram dez dias de intenso trabalho para ouvir e sentir as realidades que atingem o povo brasileiro. Foi um olhar para o hoje da realidade e descoberta de como evangelizar para ajudar as pessoas na superação de suas dificuldades.

A Igreja sempre teve um olhar atento para as realidades cotidianas. Isto já era consolidado entre os primeiros cristãos. Assim aconteceu quando os apóstolos pediram a comunidade para escolher sete homens de confiança para serem enviados para a missão de olhar as dificuldades dos mais fragilizados e atendê-los (cf. At 6,3). O olhar de Deus se faz através da ação do Espírito Santo.

Ao olhar para o mundo, particularmente, para as realidades que estão perto de nós, torna-se desafio para quem procura fazer o bem. Vemos muitas “desgraças” de todos os tipos e cantos. Às vezes, o mal parece vencer, mas não é isto que deve pensar quem acredita na ação divina, na certeza do bem. O mal é pedra no caminho dos honestos, mas Cristo é pedra de tropeço para os maus (cf. IPd 2,4).

Em ano de eleições, o que vemos hoje, no país? Como está o olhar do povo brasileiro diante de tantas narrativas contagiosas e apimentadas por uma forte trajetória ideológica com a finalidade de convencer as pessoas? São realidades que causam muitas incertezas e preocupação em relação ao futuro do país. Sabemos que um voto mal dado traz consequências desastrosas para todo o povo.

Aproxima-se a festa da Ascensão do Senhor. O destino das pessoas é a pátria celeste, onde não haverá mais ideologias e nem necessidade da escolha de autoridades. A Autoridade é Deus, para quem devemos olhar com olhar de esperança, seguindo o que Jesus diz: “Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Então, conhecê-lo é a condição para a pessoa acessar o Pai, que está no céu.

 Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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