Quem não quer ter vida feliz, imbuída de projetos novos? Mas, projetos que vão além da dimensão simplesmente humana, aqueles que envolvem o contexto espiritual e atingem o interior das pessoas. Aí está o sentido do Natal, isto é, a presença de Jesus Cristo, como Deus, que vem fazer morada no coração de quem faz opção de vida por Ele e o segue no caminho espiritual de sua história.
O profeta Isaías anuncia a chegada do Emanuel (cf. Is 7,14) ao anunciar vida nova para dar sentido à história da humanidade. Quando nasce Jesus, traz consigo a presença da Boa-Nova do Reino de Deus. Essa realidade se concretiza nas palavras do Evangelho, porque ali está a indicação das normas necessárias para a pessoa conquistar o verdadeiro sentido e a felicidade própria da vida nova.
Vida nova pode significar prosperidade, tranquilidade, fato este que não descarta as ameaças vindas do contexto comunitário e dos relacionamentos. Pode até ser situação esporádica e passageira, principalmente quando a pessoa não deposita sua confiança em Deus. Portanto, é imprescindível ter capacidade serena de discernimento para escolher aquilo que conta na estruturação da vida nova.
O Emanuel, anunciado por Isaías, em tempos passados, era proposta de uma novidade na história da salvação, o cumprimento da promessa de aliança, que o Senhor tinha feito com Abraão, quando era nômade nas terras da Mesopotâmia (cf. Gn 12,1ss). Com isto, dizemos que Jesus é fruto de uma longa e fecunda história, que atravessou o Antigo Testamento e se concretizou como Boa Nova.
Hoje olhamos para a Igreja como entidade vocacionada para a grande missão de ser guardiã dessa novidade, dentro do contexto de sacramento, de ser sinal do Reino e de transmissão do sagrado no cotidiano das pessoas. Faz parte do seu trabalho dedicar-se à causa do Evangelho e do anúncio credenciado da Palavra de Deus nos diversos ambientes e aglomerados humanos e sociais.
A infância de Jesus é a perfeita novidade do Reino da vida, que consolida realidade nova para quem o acolhe generosamente no coração. É em Jesus Cristo que devemos depositar nossa confiança, porque ele, como dom de Deus, é diferente das forças e dos poderes falíveis do mundo. Da nossa parte, cabe sermos capazes de escutar e saber discernir aquilo que nos torna pessoas novas, com vida nova.