ARTICULISTAS

Sofrimento e perseguição

Dom Paulo Mendes Peixoto
Publicado em 19/06/2026 às 16:46
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Estas duas palavras, na dimensão da vida cristã, são como provas que dimensionam a fé numa perspectiva de perseverança e de crescimento espiritual. Não são vistas como expressão de derrota, mas de empenho no caminho da maturidade pessoal. É importante lembrar Jesus, quando teve que enfrentar grandes perseguições para defender valores e crenças fundamentais para a vida.

O Evangelho fala do problema da injúria e da perseguição, mas são realidades consideradas dentro da dimensão das bem-aventuranças do Reino. Basta olhar para a citação: “Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem” (Mt 5,11). Jesus foi perseguido, sinal de que quem segue seus passos pode passar pelo mesmo caminho, conforme as palavras do Evangelho (Jo 15,20).

O sofrimento faz parte da condição humana, dos limites de cada pessoa. Fisicamente, temos nossas vulnerabilidades, doenças, insegurança, medo, etc. Para Jesus Cristo, os justos são perseguidos e isto é fato evidente numa sociedade pautada pela via da injustiça, da corrupção e da desonestidade. A lógica das práticas escusas seduz as pessoas para agirem também da mesma forma.

Os ímpios, injustos e maldosos perseguem os justos porque são incomodados nas suas trapaças. A palavra proferida por Jesus, no contexto dessa realidade, é: “não tenhais medo” (Mt 10,26) de dizer a verdade e agir com justiça. O cenário político é reflexo de uma triste realidade, porque ali transparece uma cultura totalmente maquiada por práticas injustas, que prejudicam a coletividade.

Confiamos no triunfo da justiça divina, porque Deus não vai enganar a quem age com autenticidade. Os fundamentos do Reino do Pai estão na justiça, porque ela é fonte para todas as demais virtudes evangélicas. A Bíblia diz que Jesus Cristo é o justo (IJo 2,1), imagem de uma nova humanidade, de superação das injustiças praticadas na história da salvação, que começou com a desobediência de Adão.

Para Jesus, o justo não pode ter medo e receio de enfrentar as peripécias daqueles que agem de forma desonesta, maldosa, e nem deixar de anunciar a Palavra que liberta. As perseguições são caminhos de purificação e de renovação e fazem a gente estar muito mais próximo de Deus. Isto significa que o justo não está imune dos desafios da vida, mas consciente de que pode fazer o bem.

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