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O Brasil ainda é o país do futebol?

Euseli dos Santos
Publicado em 25/06/2026 às 18:12
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Todo mundo que me conhece sabe que sou apaixonado pelo Mengão e o Uberaba Sport. Passei esse amor aos meus filhos. O estádio é o apogeu dessa paixão. Estar no meio da torcida junto com eles é uma alegria indescritível. Com certeza, um dos pontos altos dos nossos momentos em família.

Desde criança acompanho os campeonatos de futebol. Aliás, o esporte sempre foi o principal passatempo entre a molecada da minha geração. Em qualquer canto do país, do Oiapoque ao Chuí, onde havia um terreno vazio ou até mesmo uma rua tranquila, lá estavam os garotos correndo atrás da bola.

Esse contexto existia antes da chegada da revolução tecnológica. Conforme a tecnologia avançava, alguns garotos foram migrando para os eletrônicos, videogames e, mais tarde, computadores. As próximas gerações já não eram tão fãs dos esportes de rua, que foram sendo substituídos por novos hábitos.

Outra mudança significativa aconteceu dentro dos clubes brasileiros, que passaram a exportar jogadores cada vez mais cedo para os times estrangeiros renomados. Essa dinâmica fez com que o futebol se tornasse um supernegócio para os dirigentes dos grandes clubes. Em consequência disso, os patrocinadores e todas as empresas que compõem o universo bilionário do esporte na atualidade foram ganhando importância e, aos poucos, aquela magia das Copas do Mundo foi desaparecendo.

Isso foi escalando até a Copa de 1998, aquela conhecida pelo episódio envolvendo o nosso principal jogador, o craque do momento, Ronaldo Fenômeno. Ele simplesmente não jogou a final contra a França em suas plenas condições, gerando inúmeras dúvidas e especulações. Dali em diante, muitos passaram a acreditar que algo estava muito errado. O futebol foi ganhando contornos de corrupção e o esporte ficou em segundo plano. A expectativa diminuiu. Tudo começou a parecer artificial, como um grande negócio.

Desde aquela Copa, a alegria de acompanhar a Seleção nunca mais foi a mesma. Teve a Copa de 2002, que talvez tenha sido a última com aquele encanto especial. Depois disso, tenho a impressão de que a Seleção Brasileira (com maiúsculo) virou sinônimo de marketing, ostentação e salários bilionários.

Os jogadores foram elevados ao status de superstars, exibindo um estilo de vida de luxo nas redes sociais. Sem contar o escândalo de esportistas envolvidos em esquemas de apostas on-line, clubes recebendo milhões dessas mesmas plataformas de apostas. Tudo isso foi causando desconforto, mal-estar, fazendo cair o véu das lembranças da infância, quando minha família se reunia em volta da TV para acompanhar os jogos da Seleção.

Quem não se lembra das ruas pintadas de verde e amarelo, da empolgação das pessoas, das bandeiras espalhadas pelos bairros e escolas e das famílias reunidas para torcer pela Seleção? Hoje, esse cenário parece ter ficado no passado.

As imagens das bandeirinhas espalhadas por todos os lugares e das ruas enfeitadas por tapetes verdes e amarelos ficaram para trás, em um tempo em que as crianças brincavam nas ruas com segurança, torcendo pela Seleção Canarinho. Uma época em que futebol era somente um esporte e o Brasil era o país do futebol.

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