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Os novos heróis do Brasil

Euseli dos Santos
Publicado em 14/02/2026 às 18:07
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A História mundial está repleta de personalidades do cenário político que, devido à grandiosidade das realizações, alcançaram a condição de heróis nacionais. No Brasil, ao longo de nossa trajetória, tivemos nomes consagrados como Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Marechal Deodoro da Fonseca, Rui Barbosa, Getúlio Vargas, Jucelino, etc. Cada um, à sua maneira, representou momentos decisivos da construção do país, seja na luta pela liberdade, pela justiça, pela abolição da escravidão ou pela consolidação do Estado brasileiro.

Nos tempos atuais, Tancredo Neves surgiu como uma esperança, apagada antes mesmo de assumir o poder e demonstrar seu potencial. Fernando Collor de Mello também pareceu representar uma mudança, mas seu governo ficou marcado pelos esquemas de corrupção e escândalos da família Collor e, principalmente, pelo confisco do dinheiro do trabalhador. Numa ação digna de mafiosos, milhares de brasileiros foram “roubados” pelo então presidente recém-empossado e equipe ministerial sem nenhum pudor (isso é Brasil!). O dinheiro nunca foi devolvido devidamente corrigido.

Há tempos não surge uma personalidade da política pública capaz de alcançar o posto de herói. Tanto que surgiu a frase: o Brasil é um país carente de heróis. Diante da ausência de referências na política contemporânea, buscamos em outras fontes, em outros segmentos da sociedade, figuras que representem sentimentos de orgulho nacional, patriotismo, pertencimento e a vontade genuína de torcer e vibrar pelo nosso país.

Em um passado recente, no século XX, foi assim com o saudoso Pelé, até hoje celebrado como o maior jogador de futebol de todos os tempos. Ele projetou o Brasil para o mundo graças ao seu talento extraordinário.

Muitas pessoas podem não conhecer o Brasil, mas certamente sabem que Pelé é o Rei do futebol. Outra personalidade com o mesmo poder de influência e difusão da imagem do Brasil no exterior foi Ayrton Senna. O piloto conseguiu popularizar um esporte praticado somente pela elite. Senna conseguiu unir todas as classes sociais do país com sua vontade de vencer, obstinação, carisma e proximidade com o povo brasileiro. Sua morte precoce o transformou em mito, indo além da figura de herói. Com o falecimento desses ídolos, ficamos órfãos mais uma vez.

Pode-se dizer o mesmo do jogador de futebol Zico, que também foi uma personalidade de respeito e admiração no Brasil e no mundo. Tanto que torcedores de outros times, inclusive rivais, nutrem por ele muita consideração. O tenista Gustavo Kuerten, o Guga, é outro deles.

Ressalte-se que existem outras referências e ídolos nacionais como as escritoras Carolina de Jesus e Clarice Lispector. Sem dúvidas, notáveis brasileiras.

No entanto, com o crescimento do cinema nacional, estão brotando artistas cada vez mais talentosos e queridos. Encontramos, então, uma nova fonte de orgulho: os artistas da tela grande. No ano passado, vivenciamos o auge da carreira de Fernanda Torres, vencedora do Globo de Ouro pelo filme “Ainda Estou Aqui”. A atriz, que segue os passos da mãe, demonstrou maturidade ao entregar uma atuação forte e emocionante, retratando uma mulher à frente de seu tempo. Sua vitória representou não apenas uma conquista pessoal, mas também um reconhecimento simbólico à trajetória de sua mãe, que concorrera ao mesmo prêmio em 1999, pelo filme “Central do Brasil”. Certamente, muitas mulheres vibraram com a vitória da brasileira.

Seguindo nesse terreno fértil da cultura nacional, começamos o ano com a vitória de Wagner Moura no mesmo prêmio, pela atuação no filme “Agente Secreto". Mais uma vez, o nome do Brasil foi colocado em destaque no mundo. Com essa conquista, vieram novamente os sentimentos de orgulho e patriotismo. Por meio de Fernanda Torres e Wagner Moura, somos vistos e reconhecidos por nossos talentos, qualificação e carisma, assim como Pelé, Zico, Guga, Carolina de Jesus, Clarice e Ayrton Senna fizeram em um passado não tão distante.

Fernanda Torres e Wagner Moura são nossos representantes, nossos heróis contemporâneos. Infelizmente, eles não podem mudar diretamente a situação social e econômica do país, mas conseguem algo igualmente valioso: arrancar sorrisos, gerar alegria, aplausos e emoção. Viva a cultura brasileira!
 

Euseli dos Santos

Advogado em Uberaba/MG – OAB/MG 64.700, especialista em Direito do Trabalho; mestre em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp); conselheiro estadual Titular da OAB/MG triênio 2022-2024; palestrante; autor de obras jurídicas

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