Um amigo me contou a dor que o filho dele sentiu.
Abrindo a porta de casa, o meu amigo ouviu um choro, um choro sentido, um choro doído. Ao chegar ao quarto do filho de 14 anos, deparou-se com o garoto no chão, aos prantos.
O rapaz estava inconsolável com o término do relacionamento que durou alguns meses.
O pai sentou e foi conversar com ele. Comentou sobre o quanto ele é um rapaz bonito, estudioso, atencioso com todos, educado, etc. Argumentou de todas as formas; falou da sua pouca idade, reconheceu que o término de todo relacionamento é difícil, ainda mais sendo o primeiro e por aí seguiu falando.
Disse sobre os talentos do jovem e tentou de todas as formas “jogá-lo” para cima e fazê-lo, ao menos, parar de chorar. Tudo em vão.
O pai, vendo o seu insucesso, chamou o filho para rezar. Que pureza de sentimentos, que devoção! “Fale com Deus, Ele vai ajudar você!” À medida que iam rezando, o jovem foi acalmando o seu coração e, com a presença e o apoio do seu pai, sentiu o abraço de Deus, o abraço do Pai. Com algum tempo em oração, o jovem tinha parado de rezar e estava mais calmo.
Muitas vezes, os pais gostariam de tirar o sofrimento dos filhos; muitas vezes, gostariam de sentir a dor no lugar dos seus filhos, mas eles, os filhos, precisam passar por situações que os farão crescer, ainda que tenham dor; porém, ela vai passar, o fato se transformará em cicatriz e ficará a lição.
Para que haja crescimento, é necessário podar, cortar, regar e adubar.
Isso não é fácil, tanto para o filho quanto para o pai.
Esta analogia é uma homenagem a todos os pais, pais que cuidam, pais que amam, pais que oram e pais que sofrem.
Pais que sentem as dores dos filhos, mas, acima de tudo, sabem que elas fazem parte do crescimento.
Ao meu pai e a todos os pais, feliz Dia dos Pais!