No passado, eu, como um autêntico adolescente tímido, adorava ficar no quarto, no escuro, ouvindo músicas e pensando.
Viajava enquanto ouvia um lado inteiro dos discos de vinil. Após ter tocado todo o lado A, normalmente depois de cinco ou seis músicas, era a hora, literalmente, de virar o disco. Parece que ouvir dois ou três discos inteiros durava uma tarde toda...
Usando as inesquecíveis palavras do gaúcho Lupicínio Rodrigues: “O pensamento parece uma coisa à toa, mas como a gente voa, quando começa a pensar”.
Recentemente, estava em casa, checando uns extratos, tomando um vinho e ouvindo músicas, precisamente oriundas de discos de vinil. Fiquei assustado com a rapidez com que um lado inteiro do disco era tocado. “Toda hora” eu tinha que levantar e virar o disco ou pegar outro.
Aí me lembrei de antigamente... e do tanto que um lado inteiro do disco demorava para tocar ...
Aí está o ponto: os discos são os mesmos, o aparelho é o mesmo e até o relógio é igual.
O que mudou é a quantidade de coisas a fazer, é o excesso de atividades, é a velocidade com que o cérebro trabalha.
Hoje é normal, enquanto trabalha, ouvir um programa de rádio, uma playlist, responder e-mails, checar mensagens no WhatsApp e ainda bisbilhotar em alguma rede social. Coisas demais para o mesmo tempo; coisas demais que nem sempre são necessárias...
Alguns especialistas defendem que, após a pandemia, o “tempo está passando mais rápido”.
Outros afirmam que, enquanto adultos, somos vítimas da rotina e que a falta de novidade, ou seja, de novas experiências, nos dá a sensação de mesmice.
Seja qual for a explicação, o fato é que precisamos desacelerar, precisamos respirar com calma, ter tempo para todos aqueles que nos são caros e, também, para as coisas que fazem nossos olhos brilharem, de modo especial com o que nos conecta com o alto, com o Divino.
Se isso faz sentido para você, aproveite o fim de semana e se afaste um pouco das telas e da tecnologia e se aproxime da natureza, das pessoas, do silêncio e de Deus!
Eu lhe garanto, você irá sentir-se muito bem!