“Quanto riso, oh, quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão (...)”
Esta marchinha de carnaval, chamada “Máscara Negra”, de autoria de Zé Ketti e Pereira Mattos, foi composta em 1966 e apresentada no ano seguinte, quando foi vencedora do primeiro concurso de músicas carnavalescas promovido pelo Museu da Imagem e do Som (MIS), da cidade do Rio de Janeiro. A canção foi imortalizada na voz de Dalva de Oliveira.
A “máscara negra” simboliza a liberdade, o segredo e o disfarce, que permitem ao eu-lírico reviver um romance passado. A máscara literalmente é um disfarce!
Mudando de palco, Máscara Negra é um supervilão, um dos inimigos mais brutais do Batman, conhecido por sua máscara de ébano e por ser um gênio do crime, mestre em tortura e líder do submundo, que o levou a se tornar um criminoso vingativo e sádico.
Alguém já afirmou que o carnaval é o ópio do povo. E alguém tenta, a todo custo, manter o povo em constante carnaval. Sim, porque quando o ritmo é de festa, de orgia e de folia, o povo não pensa no amanhã. Aliás, o povo nem pensa. Assim, é mais fácil tocá-lo para onde se quiser. Talvez seja a versão abrasileirada do “pão e circo”, já difundida por Juvenal, lá nos Séculos I e II.
É uma maneira de distrair a população dos problemas reais, como corrupção e desigualdade e desviar o foco de questões sociais e dos diversos escândalos que envolvem todos os poderes, em todos os níveis.
Infelizmente, ainda há uma parcela significativa da população que dança e enaltece o vilão. Um povo que ri, numa falsa alegria; são verdadeiros palhaços no salão enquanto o mister “Máscara Negra” se esbalda em negociatas.
Ou seria Master?