Ela foi chegando de mansinho e aos poucos conquistou quase todos.
Os noticiários não falam de outra coisa; já se esqueceram da fraude do INSS e também das guerras. Daniel? Nem o da Bíblia!
Enquanto isso, o nosso ópio atual é, exatamente, falar dela, comentar sobre ela e, inclusive, escalar!
Sim. Estou falando da Copa do Mundo de futebol. Um evento mundial, milionário e que vem até nós para trazer esperança, diminuir o complexo de vira-lata, aumentar a nossa ilusão e nos afastar da realidade.
Dia de jogo já amanhece diferente, um clima de expectativa, um sentimento coletivo de alegria e uma preocupação, onde irei assistir ao jogo?
Os assuntos nas rodas de conversa giram em torno do futebol.
Até a saúde melhora: veja as unidades básicas de saúde e os prontos atendimentos nos horários de jogos; ficam vazios.
Ninguém paga conta, ninguém recebe; ninguém compra, ninguém vende; durante os jogos, as cidades param, isso me lembra “O dia em que a Terra Parou”, escrita por Raul Seixas.
Nos dias de jogos do Brasil, as contas continuam vencendo, mas, para curtir e assistir às partidas, brota dinheiro ou crédito para comprar algo para comer e beber. A euforia toma conta, como se parte dos recursos auferidos pela CBF fossem partilhados diretamente para nossas contas, via Pix.
Fato é que uma boa parte da população, mais uma vez, fica iludida; assiste aos jogos se imaginando lá, no estádio, mas com a alegria sabor picanha.
Quanto aos demais, todos sabemos que estamos sendo iludidos.
Porém, lembrando do personagem Sassá Mutema, de Lima Duarte, coletiva e silenciosamente dizemos: “me engana que eu gosto!”.