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Sob nova direção

Fúlvio Ferreira
Publicado em 22/10/2026 às 19:43
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Há cerca de 20 anos, abriu um bar aqui perto de casa, na rua Minas Gerais, esquina com a avenida Brasil. A novidade atraiu muitas pessoas.

Numa tarde, depois de muita insistência de um amigo, fui lá para conhecer. O papo estava animado quando meu amigo, Sinister, chamou o dono do bar para me apresentar. O senhor Tredecim, bonachão e simpático, foi chegando e já se sentou. Tinha na mão um copinho com uma branquinha, coisa que, aliás, aprecio. 

Ao saber que sou empreendedor e consultor, logo me pediu "umas dicas". Tentei, de maneira elegante, deixar o assunto profissional para um momento oportuno, mas ele insistiu e até ofereceu não cobrar a conta, se eu o ajudasse. Meu amigo, conhecendo meus princípios, interveio e me pediu, pela amizade, que fizesse uma lista de sugestões para o sucesso do negócio.

Dias depois eu voltei ao bar, numa tarde de segunda-feira, para conversar com o sr. Tredecim e passar as minhas impressões. Como ele não estava, quem me atendeu e se apresentou como sócio, pediu para eu deixar o envelope.

O tempo passou, ele não manteve contato e eu não voltei. Mas o bar continuava lá.

Anos depois, passando na porta, reconheci o patrão e o cumprimentei. A voz rouca me saudou e me chamou. Disse que se lembrava de mim e pediu ajuda para resgatar o bar, para trazer o público de volta.

Olhei no entorno, a pintura envelhecida pelo tempo, algumas cadeiras a menos, mesas sujas... enfim, tudo mudado. 

Disse a ele que o cliente não engole mais qualquer tipo de atendimento, que é necessário ter transparência e que, se prometer tem que cumprir. Nada de oferecer um produto e trazer outro. Enrolação não tem mais espaço. E acrescentei, se o senhor não fez em quase 20 anos, não será agora que irá fazer. Ele abaixou a cabeça, suspirou, olhou para mim, mudou o semblante e disse: vou fazer propaganda aqui no bairro e anunciar que o cliente que chegar antes das seis vai ganhar um "vale de 5 paus", vou sortear um "bujão" para quem vir todos os dias e eles ganharão um churrasquinho e uma cervejinha.

Olhei para ele, fiz um sinal negativo com a cabeça e saí.

E pensei, ele não entendeu nada. O cliente não aceita mais as mentiras, o cliente não aceita falsas promessas, tampouco conversa fiada.

Uns dias depois, o bar estava fechado e uma placa escrito: em breve, reabertura, sob nova direção.

Esta história não é sobre negócios, é sobre a vida, é sobre nosso futuro.

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