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A Arte Dramática em Uberaba, o ensaio de Hildebrando

Guido Bilharinho
Publicado em 23/01/2025 às 18:16
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Prática milenar, que atingiu seu apogeu na Grécia clássica do século V antes de Cristo, nunca superado, mas apenas igualado por Shakespeare ou por quem teria escrito por ele.

A representação cênica (teatro, cinema, televisão, vídeos) constitui atividade essencial do ser humano, tanto como meio e modo de expressão de ideias, sentimentos, emoções e paixões dos autores quanto de recepção e participação dos espectadores.

Uberaba, fincada nos sertões do Brasil Central desde fins de 1816 e vocacionada por sua situação temporal de pioneirismo e seu posicionamento espacial como núcleo urbano centralizador do fluxo comercial entre o litoral e as paragens mais importantes de Goiás e Mato Grosso, não poderia dispensar e nem ficar alheia à atividade cênica, tanto criativa e especulativa quanto prática.

Não deu outra.

O teatro, como autoria e como atividade cênica, surgiu em Uberaba na crucial, em vários sentidos e propósitos, década de 1830, quando no ainda povoado manifestaram-se as representações por iniciativa do padre Zeferino e outros e a autoria por parte de Antônio Cesário da Silva e Oliveira Sênior, pai do major Cesário, com a peça O Colégio de Dona Abelha, inaugurando o teatro de costumes no Brasil juntamente com as obras de Martins Pena no Rio de Janeiro.

Entretanto, o conhecimento disso, a memória disso, se deve única e exclusivamente ao historiador e polígrafo Hildebrando Pontes, autor em 1906 do ensaio A Arte Dramática em Uberaba – Teatro São Luís, publicado originalmente no Almanaque Uberabense para o ano de 1907, p. 202/211, republicado na revista Convergência nº 6, de 1975, órgão da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, que em seus números iniciais timbrou em divulgar sistematicamente os mais importantes ensaios e artigos do passado referentes a Uberaba.

Desde maio de 2019 esse ensaio também se encontra disponibilizado gratuitamente no blog bibliografia sobre Uberaba, no livro O Teatro em Uberaba, que contém diversos textos sobre esse teatro de vários autores.

Nele, como sempre o fez, Hildebrando efetua objetivo e minucioso levantamento dos principais aspectos do teatro uberabense, desde suas primeiras apresentações em palcos improvisados nos meados da década de 1830.

Após tais informações, Hildebrando percorre passo a passo a evolução da prática teatral na cidade no decorrer de toda a segunda metade do século XIX, período de consolidação e expansão de Uberaba em todos os setores. E faz isso com a costumeira objetividade e plena consciência da importância cultural e social dos fatos narrados.

Nesse pertinente proceder, Hildebrando não se exime de informar, comentar e, quando o caso, tanto de ressaltar as mais significativas realizações teatrais ocorridas na cidade quanto de expor as inúmeras dificuldades, paralisações e até retrocessos havidos nesse período.

Esse notável ensaio, pelo que informa e constata, pelo que narra e expõe e pelo que revela e demonstra, constitui um dos mais importantes estudos sobre o teatro brasileiro no século XIX, não podendo, por isso, ser ignorado por todos aqueles que se dedicam e se importam com o patrimônio cultural e com as artes cênicas no país.

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