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Atividades Culturais em Uberaba: 1900 a 1949 (III)

Guido Bilharinho
Publicado em 30/08/2025 às 10:34
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Periódicos

Vários periódicos foram editados no período: Almanaque Uberabense (1903 a 1911, que, entre outros ensaios e biografias, publicou o importante ensaio científico O Tempo em Uberaba, de F. M. Draenert, em 1903), Álbum de Uberaba (1904), Revista de Uberaba (março/1904 a fevereiro/1905, dirigida por Felício Buarque), Anuário do Grêmio Literário Bernardo Guimarães (1906), Via-Láctea (1917 e 1918, por Raimundo Soares de Azevedo, Mário Morais e Clóvis Martins), Lavoura e Comércio Ilustrado (1919 e 1920, por Quintiliano Jardim), Sorriso-Revista (desde 1931, por Sabino Vieira Jr.), A Rural (a partir de 1933, por José Maria dos Reis), novo Álbum de Uberaba (1934, de Gabriel Toti), Revista Zebu (iniciada em 1939, por Ari de Oliveira), Graça e Beleza (desde 1941, por Nicanor de Sousa Júnior, Vítor de Carvalho Ramos e Iná de Sousa) e Livro Azul do Triângulo (1947 a 1955, por Ari de Oliveira).

Rádio Sociedade

Em 1933, iniciou suas atividades a Rádio Sociedade do Triângulo Mineiro, fundada e dirigida por João Waak, Paulo Derenusson, Dídimo Napoleão, Vítor Cardoso e Valdemar Vieira.

Ensino

No Ensino Secundário, fundaram-se diversos estabelecimentos, alguns de curta duração e outros que atravessaram décadas, entre eles o Colégio Diocesano de Uberaba (1903, atual Colégio Marista Diocesano, que durante algum tempo manteve, também, Escola de Agronomia). Não subsistiram, porém, os educandários Rio Branco (fundado por Leopoldino de Oliveira em 1917), Sousa Novais (fundado por Alceu de Sousa Novais em 1928), Santa Filomena, Oliveira, Santa Teresinha, Cristo-Rei e Escola Técnica de Comércio José Bonifácio, esta fundada em 1924.

Na área educacional, nessa época, salientou-se, em âmbito nacional, a atuação de Fidélis Reis na instauração, no país, do Ensino Técnico-Profissional e, particularmente, em Uberaba, na construção em 1927 do conjunto de edifícios do Liceu de Artes e Ofícios, onde, a partir dos fins da década de 1940, funcionou o Senai.

Em 1926, ocorreu, por iniciativa do médico Mineiro de Lacerda, a fundação da Escola de Farmácia e Odontologia, cursos que funcionaram alguns anos. Em 1933, foi fundada a Faculdade de Direito, que não chegou, no entanto, a formar nenhuma turma.

Em 1934, foram fundados o Colégio Santa Rosa e o Ginásio São Luís Gonzaga (misto), este por, entre outros, Álvaro Guaritá, Paulo Rosa, José Mendonça, Hildebrando Pontes, Manuel Mendes André, Valdemar Vieira e Tomás Bawden.

Em 1940, na rua Coronel Manoel Borges, Mário Palmério fundou o Liceu Triângulo Mineiro, transferido em 1945 com a denominação de Colégio Triângulo Mineiro para a avenida Guilherme Ferreira, e, em 1947, criou a Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro, a primeira do grupo de escolas superiores que iria instituir nas décadas seguintes. Em 1948, foram fundadas pelas irmãs dominicanas a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino e a Escola de Enfermagem Frei Eugênio. Nesse mesmo ano, principiou suas atividades a União Estudantil Uberabense.

Nos principais estabelecimentos de ensino organizaram-se grêmios literários.

Invenções

Nesse período, pelo menos três inventos foram efetivados na cidade. Por volta de 1927, a tração nas quatro rodas por Henrique Vieira da Silva, bem antes da Ford lançar, na década de 1940, o jipe com essa característica. No início da década de 1930, Ângelo Zapelli idealizou e construiu carro blindado, utilizado, com êxito, nos combates na defesa de Delta contra as forças paulistas. Em 1944, foi construído o aerautômato, aparelho para voo individual e livre, por Alvanúncio Pereira da Silva.

Fotografia

Uberaba para além das atividades profissionais e com sentido também documentarista e artístico, José Severino Soares e Joaquim Gasparino de Magalhães.

Nas décadas de 1930 e 1940, prosseguidas pelas décadas posteriores até seu falecimento em 1986, salientaram-se sobremaneira em Uberaba as atividades fotográficas e cinematográficas do alemão João Schroden Júnior. Naquelas, focalizou pessoas, casamentos, bodas, batizados, festas, e, nestas, deixou notáveis documentários sobre exposições de zebu, visitas de Vargas e Juscelino, inauguração do Grande Hotel, construção da sede do Jóquei Clube, usina hidrelétrica de Pai Joaquim, chegada dos pracinhas uberabenses e inúmeros outros acontecimentos.

Estranhamente, porém, as leis municipais de Uberaba atinentes ao Patrimônio Cultural da cidade, além de inconstitucionalmente transferirem para os proprietários as obrigações que são do poder público, só contemplam imóveis, registro dos bens culturais de natureza imaterial e arquivos (por exemplo, no caso de imóveis, o da residência e estúdio de Schroden), mas não sua obra, que é, na espécie, unicamente o importante e deveria ser preservada e cuidada.

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