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Brasil: Cinco Séculos de História

Guido Bilharinho
Publicado em 27/10/2026 às 19:22Atualizado em 27/10/2026 às 19:24
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O sexto volume do livro Brasil: Cinco Séculos de História, (que já se encontra nos blogs https://brasil5seculosdehistoria.blogspot.com/ e https://brasil5seculos.wordpress.com/ e que abrange o período de 1960 a 2000, encerra a referido livro, que se propõe, cronologicamente, a expor, descritiva e criticamente, o evolver da História do Brasil em seus primeiros quinhentos anos nele da presença, atuação e atividades do ser humano civilizado.

Até então era habitado por indígenas de variadas tribos e estirpes, com predominância dos tupis-guaranis, que ocupavam, espalhadamente, grande parte de seu território.

No período considerado no citado volume destacam-se pelo menos alguns fatos relevantes consistentes na renúncia de Jânio Quadros à Presidência da República; na dificuldade oposta pela direita militar à posse do vice-presidente João Goulart; no seu tumultuoso governo; no golpe militar de 1964 que o destituiu; na ditadura militar então implantada e implementada no decorrer de vinte e um anos; na redemocratização com eleições livres em 1986; na aprovação da Constituição Federal de 1988; no falecimento intempestivo e repentino de Tancredo Neves, primeiro presidente da República eleito após a ditadura; nos governos de José Sarney (vice-presidente que o sucedeu), de Fernando Collor de Melo, de Itamar Franco (vice-presidente que terminou o mandato de Collor), e de Fernando Henrique Cardoso.

Jânio Quadros, por inapetência política, desequilíbrio emocional e tendência autoritária, encontrou enorme dificuldade em lidar com um Congresso caracterizado, majoritariamente, por carreirismo político, oportunismo, clientelismo e outros males que assolam todas as suas composições.

Renunciou, com a pretensão de voltar com amplos poderes nos braços do povo, o que não ocorreu, abrindo campo para o tumultuamento de sua sucessão, com o veto da direita militar à posse de seu vice, João Goulart, obrigado a se sujeitar a um parlamentarismo oportunista, logo revogado por plebiscito.

Conquanto indevido, ilegal, pretencioso, ditatorialista, o inconformismo militar contra o governo de Goulart tinha sua razão de ser porque, não obstante a correção de seu direcionamento a favor das pretensões populares e das necessárias reformas de base, não atentou e nem avaliou a correlação de forças, existente na conservadora sociedade brasileira e atabalhoadamente radicalizou ao máximo suas posições, inclusive apoiando indisciplina e quebra da hierarquia militar, espinhas dorsais da existência e atuação das Forças Armadas.

Tais forças, como a própria sociedade brasileira, dividiam-se em militares de centro, centro direita e ultradireita, havendo, no decorrer do período ditatorial, entreveros entre elas, inicialmente predominado a centro direita com sua opção por democracia controlada ou ditadura minimizada, o que permitiria, ao que tudo indica, a volta, em pouco tempo da plenitude democrática, se a atuação dos radicais de esquerda, com assaltos a bancos, guerrilhas antes e também depois do endurecimento do regime, com o Ato Institucional 5, de 13 de dezembro de 1968, não tivesse contribuído para o reforço da tendência militar mais autoritária.

Assim, ao invés de convocar os militares para a democracia, impeliu seus radicais para a ditadura, os assassinatos e as torturas, que historicamente mancharam para sempre a reputação dos militares brasileiros.

Lamarca, Marighella, as organizações radicais da esquerda, os assaltantes de bancos, os guerrilheiros da Serra do Caparaó e do sul do Pará, com o reforço da posição do que havia de mais radical nos quadros das Forças Armadas, atrasaram em anos a volta à plenitude democrática, prejudicando, como a imprudência goulartiana já havia feito anos antes, a normalidade democrática e seu aprimoramento pelo exercício pleno e contínuo, seccionando seu fluxo em nada menos de vinte e um anos! Uma geração!

O regime democrático, que sucedeu a ditadura, representou a volta à legalidade, à normalidade, aos freios e contrapesos e ao devido processo legal que devem alicerçar a sociedade e a administração pública.

No entanto, os governos que dele emergiram e nele atuaram, eleitos por maioria de eleitores desavisados e ignorantes da sistemática econômico-financeira que rege a sociedade, ou foram caóticos, inapetentes e incompetentes, como o de José Sarney, ou deliberada e conscientemente destruidores dos fundamentos que levariam o país ao progresso e à independência econômica, como o de Fernando Collor de Melo ou, ainda, improvisados e surpreendidos pela assunção repentina e imprevista ao poder, como o do bem intencionado Itamar Franco, até desaguar no de Fernando Henrique Cardoso, que se submeteu inteiramente ao Consenso de Washington, com sua imposição neoliberal de desenfreada exploração dos países não desenvolvidos, isto tudo, consciente e deliberadamente.

Diante desse quadro deletério, o povo e as Forças Armadas desconheciam as engrenagens sub-reptícias que envolviam essas administrações públicas e a todo o país, quedando-se patética e ignorantemente, considerando que a causa de nossos males era, e é, a corrupção.

Ingênuos e desavisados, povo e Forças Armadas, com sua falsa, tacanha e limitada visão da realidade e desconhecimento completo da engrenagem perversa que rege o mundo, contribuíram acentuadamente para manter subdesenvolvido e inoperante o país mais bem aquinhoado pela natureza, que não fabrica nada de importante no campo tecnológico, tudo importando ou consumindo o que internamente as grandes multinacionais produzem, não se tendo, por exemplo, nem uma fábrica nacional de automóveis, sendo todas filiais de matrizes estrangeiras.

Essa, pois, aos quinhentos anos de existência, a situação e a condição do país de maiores possibilidades do planeta, sempre relegando para o futuro seu pleno desenvolvimento.

*

O citado volume, além de cronológico e abrangente de todas as manifestações da sociedade brasileira no período, desde as artes e ciências até aos esportes, mercê de arquivo de recortes, iniciado ainda na década de 1950, sobrecarrega muitas vezes seu texto com pletora de citações de grandes jornalistas, economistas, filósofos e cientistas sociais e políticos, porque elas representam quase sempre o testemunho mais agudo, pertinente e atualizado do momento que passa diante de seus olhos e de sua compreensão, perfazendo, assim, depoimentos e análises que, possivelmente, os historiadores do futuro não terão do passado com o qual não conviveram e nem acompanharam no dia-a-dia, como os autores citados fizeram com inegável proficiência.

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