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Filmes de Ficção Científica (IV): Guerra dos Mundos

Guido Bilharinho
Publicado em 20/06/2026 às 10:37
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Um dos filmes mais emblemáticos da ficção científica produzidos na década de 1950 é Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, EUA, 1953), de Byron Haskin (1899-1984), dado também como codirigido pelo húngaro George Pal (1908-1980), também seu produtor, atividade, aliás, em que se distinguiu mais do que na direção, em que todavia realizou, no gênero, A Máquina do Tempo (The Time Machine, EUA, 1960) e Atlântida, o Continente Esquecido (Atlantis, the Lost Continent, EUA, 1960).

Guerra dos Mundos, o filme, é baseado no livro homônimo do britânico H.G. Wells (1866-1946), cuja primeira edição é de 1898.

Inclui-se na linhagem mais generalizada de chegada à terra de alienígenas. No caso, marcianos, cujo planeta parecia, então, longínquo e misterioso.

Com exceção da construção e atuação das naves em movimento e o ataque a Los Angeles, efetivamente cinematográficos, por isso causando impacto, tudo o mais de positivo no filme decorre da concepção imaginativa de Wells.

Inegável, no filme, a expectativa criada pela aterrissagem abrupta dessas naves, criando ambiência apropriada à recepção dos recém-vindos.

A explicação inicial para sua vinda à terra é lógica e convincente, mesmo porque não há efeito sem causa, mormente quando de tão grande envergadura e significado, aspecto, no entanto, advindo do livro e a que o filme apenas dá curso e ênfase.

Sob o prisma exclusivamente cinematográfico, apenas os fatores acima apontados possuem atributos que levam o filme a merecer certa consideração.

As cenas do ataque, com os ruídos característicos das máquinas e dos raios incandescentes que ejetam, perfazem bons momentos de cinema, tanto sob o aspecto de movimentação da câmera e enquadramento da imagem quanto de perfeitos e adequados efeitos especiais.

O mais, entretanto, é precário, a começar pela escolha e seleção dos atores, já que o par protagonista, os indefectíveis mocinho e mocinha, não passam de canastrões careteiros, principalmente ela, por sinal muito mal dirigidos, circunstância que agrava seu desempenho interpretativo, que, aliás, de interpretação não tem nada, mais apenas de movimentação e caretagem frente à câmera.

Há, contudo, não no filme, mas na história que narra, contradição básica que coloca em xeque a solução dada a seu desate.

Por mais que sejam diferentes em tudo – causa, manifestação e consequências –, não se compreende como, por força de formidável proteção eletromagnética, naves invioláveis e indevassáveis, resistentes até à radioatividade, mesmo sob o impacto devastador de bombardeio atômico, não mantenham seus ocupantes isolados do contato das bactérias terrestres.

Em suma, tolerando-se e vencendo-se suas limitações e defeitos, a assistência ao filme é indicada para se conhecer a engenhosidade e características de mais um tipo de alienígenas dos inúmeros que a ficção científica tem criado.

*

Na década de 1950, Guerra dos Mundos teve grande sucesso de público em Uberaba, provocando longas filas para assistir ao filme. O mesmo ocorreu com O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth, EUA, 1952), dirigido por Cecil B. DeMille.

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