Ao tempo do Reino (d. João VI) e do Império (d. Pedro I e d. Pedro II) no Brasil, como era (e é) próprio dos regimes monárquicos, persistia todo um aparato nobiliárquico como modo e maneira desses regimes distinguirem e galardoarem pessoas que se destacavam na sociedade.
A esse tempo, na região do Triângulo (encastoada entre os Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais) algumas pessoas obtiveram títulos nobiliárquicos, os quais possuíam rigorosas normas e exigências, que valorizavam seus titulares, a ponto de só uma pessoa, em toda a duração do Reino e do Império, ter alcançado o ducado, o mais alto desses títulos, o duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro.
O historiador Hildebrando Pontes, autor de diversas obras em variados e múltiplos assuntos, também se interessou pela nobiliarquia triangulina, elaborando o ensaio Nobiliarquia do Triângulo Mineiro – Subsídio para a História dos Grandes da Mesopotâmia Triangulina (editado em Uberaba em 1937), com o que, mais uma vez, contribuiu para a preservação e divulgação da história regional.
O livro vem precedido por atilado texto (“À Entrada”) de Odorico Costa, um dos maiores intelectuais e jornalistas que Uberaba teve, mas, cuja obra, esparsa em jornais e possivelmente também em livro, reclama reunião e edição, o que seu filho, Marçal Costa, embora também escritor e jornalista, até pode ter cogitado em fazer, mas não fez ou não pôde fazê-lo.
Odorico Costa, revelando sua perspicácia e amplitude de vistas, sintetizou, em brilhante parágrafo, o sentido e o alcance de toda a bibliografia legada por Hildebrando:
“Hildebrando Pontes, num trabalho obstinado e constante, conseguiu edificar um admirável patrimônio histórico desta região, tão completo e tão vasto que, talvez, bem poucas regiões brasileiras possuam semelhante”.
O “talvez”, talvez possa ser substituído por quase certamente.
Na Nobiliarquia do Triângulo, mais uma vez esse grande historiador brasileiro, mercê de longas, amplas e difíceis pesquisas, efetuou o levantamento, pessoa por pessoa, de todos os triangulinos que obtiveram títulos nobiliárquicos tanto do regime monárquico brasileiro quanto da Santa Sé católica.
Além disso, que já foi tarefa hercúlea, Hildebrando procedeu à biografia de cada um deles nos limites que conseguiu atingir no contexto das precariedades arquivísticas da época.
Daí, desfilarem por sua obra, entre outros, os comendadores João Quintino, Gomes da Silva (este, advogado, professor e diretor da Escola Normal de Uberaba e autor dos romances A Flor do Martírio e Iva, a Cabloca, da comédia teatral A Homeopatia e da monografia histórica Apontamentos Históricos da Cidade de Pitangui), Honorato José Bernardes (um dos quinze incorporadores da firma que fundou a fábrica de tecidos do Caçu), José Bento do Vale, Joaquim Machado de Morais e Castro e Orígenes Tormin.
Ademais, ainda foram focalizados os barões de Ponte Alta, de Campo Formoso (hoje Campo Florido), de Rifânia, de Itaberava, de Patrocínio e de Saramenha (adquirente e dirigente da fábrica de tecidos do Caçu).
A Monarquia Brasileira não se limitou, porém, aos agraciamentos citados e outros mais, porém, ainda criou títulos de nobreza com a denominação das cidades de Uberaba, Araxá, Coromandel, Araguari e Jaguara para homenagear pessoas de diversas procedências, a exemplo do visconde de Uberaba, José Cesário de Miranda Ribeiro, nascido em Ouro Preto, e, entre outros cargos, foi presidente (governador) das Províncias de São Paulo e Minas Gerais.
Da Santa Sé obtiveram títulos d. Eduardo Duarte Silva (primeiro bispo de Uberaba) e o comendador Orígenes Tormin.
De todos os titulados, Hildebrando, como dito, traçou seus dados biográficos mais relevantes, adjuntando à historiografia triangulina preciosas informações, já que tais titulados exerceram atividades e ocuparam cargos dos mais importantes.
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Para facilitar o acesso à obra (publicada nos blogs https://bibliografiasobreuberaba.blogspot.com/ e https://bibliosobreuberaba.wordpress.com/), aduziram-se-lhe sumário e subtitulação de conformidade com as honrarias e/ou nomes das pessoas contempladas.