Não é só Jaime Dimon, o CEO do banco JP Morgan, o maior do mundo, juntamente com o banco da China (ICBC), que alerta, preocupado, com a possível (e provável) 3ª Guerra Mundial, que ele até diz que já começou.
Leonardo Boff também vem escrevendo sobre essa preocupação, a exemplo dos artigos “O Risco de Uma Guerra Nuclear e de Um Céu Branco”, de 18 de outubro, e de “A Terceira Guerra Mundial: Como Ficaria o Brasil”, de 6 de dezembro, ambos de 2024 e ambos publicados, na região, no jornal O Estado do Triângulo, de Sacramento, cidade de larga e consistente tradição de imprensa, que, nela, contou com a participação, dentre outros, de Eurípides Barsanulfo e de Francisco Palmério, pai de Mário.
No seguimento de ordem cronológica de manifestações nesse sentido, ressaltam-se o artigo de Filipe Barini, “A 90 Segundos do Juízo Final – Risco de Guerra Nuclear Foi o Maior em 2024, e Futuro Não é Animador” (O Globo, Rio de Janeiro, 31 dezembro 2024), e o editorial “Apenas Mobilização Popular Global Será Capaz de Conter Risco Nuclear – Desde a Segunda Guerra, Nunca a Humanidade Esteve tão Próxima de Conflito Com Armas Atômicas” (O Globo, Rio de Janeiro, 4 janeiro 2025).
O simples (simples?) enunciado desses títulos exprime e resume seus conteúdos, preocupações, perplexidades e temores frente à realidade dantesca de possível e provável efetividade.
Constituem manifestações sintomáticas e significativas baseadas em faticidade concreta a partir da existência e atividades da OTAN na Europa, do propósito, da atuação e influência do complexo industrial-militar dos EUA e da periclitante condição desse país vendo na China concorrente inimigo a ser combatido, a qual, como qualquer país, tem todo o direito de progredir como os EUA tiveram e isso lhes foi sempre garantido.
À semelhança do ocorrido, por exemplo, nos ataques da Grécia contra Troia (não só na mitologia) e do Império Romano contra Cartago, apenas e simplesmente porque essas cidades faziam-lhes concorrência comercial.
Com tudo isso, do presente e dos precedentes históricos, a preocupação atinente a conflito nuclear já ultrapassa e extrapola suas próprias e perigosas possibilidades para se estender ao Pós-Guerra.
Nesse sentido, o artigo “O Brasil e o Pós-Apocalipse”, do embaixador brasileiro José Luís Machado e Costa, no O Globo de 12 de janeiro último.
Entre suas ponderações e advertências, salienta-se a de que “o agravamento do conflito na Ucrânia trouxe de volta o temor, dormente durante décadas, do desencadeamento de uma conflagração nuclear total”.
Situação, segundo ele, agravada com “o surgimento de novos atores com capacidade não apenas nuclear, mas também missilística, passou o número de detentores de dois para nove, com arsenal suficiente para destruir a civilização várias vezes”.
E tornada altamente periclitante com “a precariedade dos sistemas existentes para prevenir erros e mal-entendidos”.
Se tudo isso é inquietante, segundo ele “mais desconcertante é a [ideia] do pós-conflito”, com “encobrimento do sol por tempo considerável, a brusca queda de temperatura e o subsequente nuclear fallout, que contamina o solo, a água e o ar em níveis muito superiores ao tolerável”.
Contudo, como o conflito se daria (ou se dará?) no Hemisfério Norte, poderá haver sobreviventes nas “latitudes mais próximas ao polo Sul, como Nova Zelândia, Austrália e parte da América do Sul”, caso em que deveria ter presença ativa a autoridade estatal.
Daí, o embaixador José Luís Machado e Costa parte para a finalidade de sua preocupada e preocupante manifestação: “E o Brasil?”, já que o país poderia ser razoavelmente preservado, “qual seria o impacto de uma catástrofe de tamanha magnitude sobre a estrutura organizacional do Estado?”.
Por fim, adverte e sugere: “é essencial que a sociedade e o Estado brasileiros iniciem, quanto antes, debate no sentido de definir um plano estratégico a ser aplicado na eventualidade de um conflito nuclear no Hemisfério Norte”, já que “a estrutura hoje existente no país para casos de catástrofes naturais não é adequada para atender a um contexto de pós-guerra nuclear”, sendo que “há momentos, como o atual, em que é preciso pensar o impensável”.
E, no Brasil, quem o está pensando? Quase ninguém. As preocupações, quando ocorrentes, quase sempre (embora sejam também importantes) limitam-se à preservação de árvores, lagos, rios, lagoas, florestas, brejais, nascentes, etc. Uma simples derrubada de árvore urbana geralmente provoca traumas e até agressões como já ocorreu em condomínio residencial uberabense.
E menos ainda atentam para o aumento incontrolável da população mundial como fator prejudicial, já que o planeta tem limite. Circunstância, aliás, já entrevista pelo dramaturgo grego Eurípides há mais de dois mil e quatrocentos anos quando na tragédia Helena (412 a.C.), nos versos 37 a 40 expõe: “o plano do Cronida [Zeus] acresce outros males: / alastra a guerra pelo solo grego e entre / os frígios [troianos] infelizes para aliviar / a terra mãe da superlotação humana”.