Seja qual for nossa crença, todos fomos concebidos por um homem e uma mulher. Somos, sem dúvida, metade pai e metade mãe. Essa origem nos acompanha por toda a vida, e nenhuma circunstância — a orientação sexual, a família que nos criou, o lugar onde nascemos — apaga o mapa genético que herdamos.
Quer tenhamos sido criados pelos pais biológicos, por pais adotivos ou afetivos, ou por um casal homoafetivo, o que de fato nos forma é o cuidado que recebemos. E é com essa mesma benevolência que devemos olhar para as situações que a vida nos apresentar.
Se todos viemos da mesma origem, não há base científica para que um grupo se considere superior a outro. O que nos diferencia são as escolhas que fazemos ao longo do caminho — entre elas, a de acolher ou a de excluir. Todos somos iguais perante Deus, e não há espaço para preconceito nem discriminação quando nos curvamos à maior das leis divinas: o amor.
Nesse caminho, encontramos os vulneráveis: indígenas, idosos, crianças, refugiados, pessoas LGBTQIA+, negros, mulheres, moradores de rua. Compete-nos defendê-los, porque são nossos próximos. Não devemos abandoná-los, marginalizá-los nem maltratá-los. Não julguemos, para não sermos julgados; sejamos contrários à impiedade e à iniquidade.
Quando escreveu aos Tessalonicenses (primeira epístola, capítulo 5, versículos 15 a 17), Paulo pediu que não retribuíssem o mal com o mal, que procurassem sempre o bem uns dos outros, que estivessem sempre alegres e que orassem sem cessar. O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XII, retoma esse desafio: amar os inimigos e retribuir o mal com o bem.
Mas onde se aprende a amar assim? Na visão espírita, a resposta está na infância. Cada espírito reencarna com um recomeço, pois um véu cobre o passado, e é quando criança que se mostra mais sensível aos exemplos. Por isso a presença dos pais é tão importante: são eles que despertam em cada filho, com equilíbrio entre a fé e a razão, as virtudes que Paulo recomendava.
Começamos dizendo que somos metade pai e metade mãe. Todos fomos gerados no ventre de uma mulher. Nem todas as religiões veneram Maria, mas o exemplo que ela deixou à humanidade ultrapassa as crenças: paciência, oração e resignação.
Diante dos mistérios e das dores da vida, e em tempos de tanta divisão, o que importa agora são propósitos que nos sustentem em qualquer espaço, tempo e nação: humildade e caridade, virtudes que independem de qualquer partido. Sejamos virtuosos como Maria e simples como as crianças!
Heloisa Helena Valladares Ribeiro
Membro do IBDFAM
@heloisaribeiro1704
@valladaresribeiro.advogados