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Os Sinais

Heloisa Helena Valladares Ribeiro
@heloisaribeiro1704 @valladaresribeiro.advogados
Publicado em 01/04/2025 às 18:31
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“Como será amanhã? Responda quem puder/O que irá me acontecer? O meu destino será/Como Deus quiser/Como será?” Essa letra da música “O Amanhã”, de João Sérgio da Silva Filho, cantada por Simone, traz-nos a incerteza do futuro. Quem sabe viver o dia de hoje pode ser chamado de sábio.

E, assim, quando menos estamos preparados, envelhecem nossos pais, vem a demência, caracterizada por perda de memória, dificuldade de linguagem, falta na capacidade de resolver problemas, e outras questões que afetam o comportamento, os sentimentos e os relacionamentos.

Os sinais podem ser leves e vão gradativamente aumentando. Estão entre os sinais a perda de memória recente; dificuldade no planejamento e preparo de refeições; esquecimento dos compromissos; perder-se no próprio bairro; esquecer onde estão os objetos; ter dificuldade em se expressar e entender o que os outros dizem; esquecer-se de pagar contas; ter mais dificuldades com números do que o normal.

É importante procurar atendimento junto ao profissional de saúde, para determinar a causa e se a condição é tratável. Caso os sintomas indiquem demência, o diagnóstico precoce permite que o doente tenha o máximo de benefício dos tratamentos disponíveis. Dificultam ainda a memória problemas como a depressão; efeitos colaterais da medicação; uso excessivo de álcool; problemas de tireoide e deficiências de vitaminas.

Quando ocorre demência junto à família, muitos estão despreparados e poucos a aceitam. Embora seja comum em idosos, a demência não é considerada uma parte normal do envelhecimento. A doença de Alzheimer (DA) é considerada um tipo de demência, na sua forma mais comum, e representa 60 (sessenta) a 80% (oitenta por cento) dos casos. A DA resulta em perda de memória recente, dificuldade de comunicação, confusão, mudanças de humor e personalidade, desorientação espacial e temporal, além de afetar a capacidade de realizar tarefas cotidianas.

Falar sobre a demência é necessário. Atravessamos períodos incertos em que nossos idosos são colocados à prova; padecendo de todos os tipos de doenças; muitas vezes não têm direito de morrer com dignidade; transformam-se nas pessoas que não queriam ser.

“Que dia é hoje? Que horas são? A fulana vem hoje? Cê tem notícias de Beltrano? Essas e outras perguntas de nossos idosos, como nos diz Zé Ramalho, na letra da música “Sinais”, são “Sinais de que os tempos passaram/Passaram e mudaram demais/Sinais de que tudo mudaram/Viraram para frente e pra trás ...”

Às vezes, já não dá mais para obedecermos aos nossos pais, teimosos se tornam crianças, levados agem colocando em risco a própria vida. Ah... nesse instante dá saudade da sanidade deles, até das brabezas, das dificuldades, dos castigos, daquele tempo em que erámos felizes, como foi boa a meninice. A gente quer colo, mas agora é a hora de acolher.

Nesse momento, além de amar, resta-nos orar. Em Êxodo, 20:12 temos o dever imposto pelo Senhor: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra”. Há amigos que sequer conheceram seus pais, outros que os pais faleceram cedo e alguns que os pais tiveram DA. Cada filho com sua família está a caminho; nesse sentido, cito novamente o Zé: “Sinais de que não temos culpa/De ficarmos assim/Como simples mortais/Sinais de que não conhecemos/O valor dessa vida voraz...”.

Assim, sigamos avante diante dos sinais, porque só nos resta amar como Jesus nos amou, aos idosos e pais.

 Heloisa Helena Valladares Ribeiro

Advogada e membro do Ibdfam

@heloisaribeiro1704

@valladaresribeiro.advogados

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