Janeiro chega com uma mistura curiosa: esperança de recomeço e a realidade dos boletos. IPTU, IPVA, material escolar, e, quando percebemos, o carnaval já entra na conta. Não é que o ano “fica caro de repente”. Ele apenas revela a fragilidade de quando tentamos resolver tudo no improviso.
Muita gente começa o ano dizendo: “agora vai”. Mas repete o mesmo padrão: paga o que dá, adia o que aperta e segue em frente torcendo para sobrar no fim do mês. Precisamos admitir que o equilíbrio financeiro não nasce da sorte, mas sim da clareza — e da coragem de olhar para o que é previsível antes que ele se torne um incêndio.
Um ano diferente não exige um plano perfeito, mas sim um plano possível. Comece pelo básico: liste os gastos que já existem, ou seja, os gastos fixos e variáveis que já batem à porta. Escolha uma única prioridade para os próximos noventa dias — seja sair do cheque especial ou o início de uma reserva — e firme um acordo de paz consigo mesma. Aprenda a dizer “sim” para o que sustenta seus sonhos e um “não” firme para o que alimenta apenas o status, mas rouba o seu sono.
Afinal, nossas finanças não entram nos trilhos porque a vida facilita, mas porque decidimos parar de apenas reagir e começar a escolher. Tudo se organiza quando você abre mão do peso do descontrole para caminhar com a leveza de quem sabe exatamente para onde está indo.
Jeane Queiroz de Oliveira
Educadora Financeira
@jeane.queiroz.oliveira