Instituições públicas e privadas em grande número de municípios do país discutem com regularidade em seus redutos de trabalho como fomentar desenvolvimento que gere emprego e renda em suas localidades. Boa intenção pelo visto é o que não falta e este propósito é mais do que acertado, animador e, sobretudo, oportuno. O que é preciso então para que coloquem “mãos à obra”? Em primeiro lugar é saber o que se tem disponível para movimentar a riqueza local; segundo, quais matérias-primas estão disponíveis para processamento na localidade; terceiro, quais as vantagens são oferecidas para a atração de empreendedores que queiram ali se instalar. Ao buscarem as informações que preencham este pequeno diagnóstico, as autoridades constatarão à primeira vista, certamente por descuido ou desconhecimento, que o município não tem, sob sua maneira de ver, nada de importante ou grandioso que contemple os fabulosos planos imaginados.
E na aparente inexistência de componentes que figurem nesta simples pesquisa, prefeitos e secretários, por falta de exame atencioso da realidade, passam a sonhar com o que está muito distante: a busca por empresas industriais, daquelas que têm chaminés, soltam fumaças e anunciam com sirene o horário da jornada. Muitos até já imaginam um distrito industrial. E os objetivos sonhados se espalham improdutivamente direcionados para fora, longínquos do ponto central para onde deveriam convergir as atenções. Na verdade, na maioria dos casos, o material para transformar o município em local de progresso está ali mesmo, escancarado ao redor dos mandatários municipais. Basta levantar o rosto e fitar o horizonte para encontrá-la: a terra, potencialmente produtiva, mas ainda precariamente explorada.
Como tornar esta riqueza produtível em geradora de alimentos hoje demandados em grandes quantidades pelas populações do país e do exterior, como é o caso da soja e do milho? Inicialmente, mobilizando pecuaristas proprietários de terras do local, convencendo-os a introduzir lavouras em suas fazendas como forma de revitalização de pastos degradados e promover a integração lavoura/pecuária por meio de contratos de arrendamentos. Simultaneamente, buscando atrair agricultores profissionais em zonas agrícolas tradicionais, ou até mesmo nas proximidades, que se interessem na expansão de suas lavouras através desses contratos.
No tocante a Uberaba, município do Triângulo Sul que ocupa o primeiro lugar na produção de grãos em Minas Gerais, compete atuar cooperando e diligenciando para que os 22 municípios dessa região de sua direta influência atuem buscando proprietários de terras interessados na recuperação de pastos degradados e, consequentemente, na implantação de lavouras brancas.
Para materialização desses eficientes procedimentos de desenvolvimento existe um programa comprovadamente prático e funcional para aproximação e associação de empreendedores que pode ser colocado em prática de imediato: uma Bolsa de Arrendamento de Terras! Esse programa, de fácil operacionalização, quando movimentado interessadamente, causa uma revolução na atividade econômica do local, interferindo beneficamente nos segmentos do comércio, da indústria e dos serviços. Assim aconteceu em Uberaba, uma revolução que transformou o município, de uma localidade eminentemente pastoril para uma zona agrícola expressiva, o maior produtor de grãos de Minas Gerais.
José Humberto Guimarães
Consultor para Parcerias e Arrendamentos Rurais; ex-secretário municipal de Agricultura de Uberaba
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