A busca por empreendimentos que desenvolvam ocupações geradoras de empregos tem sido objeto de desejo de grande parcela de instituições públicas e privadas do país. Este trabalho promissor pode ser classificado como bem-sucedido quando se sabe que a boa ocupação da terra passou a ser trabalhada em 2.468 municípios dos 5.568 do país, ou seja, 44,3% por cento que produzem soja gerando uma safra de cerca de 180 milhões de toneladas produzidas por 50 milhões de hectares.
Essas áreas, em sua maioria, substituem pastos degradados que resultavam em notórios prejuízos para a economia do país. Consolida-se, portanto, com esta mudança o perfil de um Brasil continental, revelando de um lado extensas áreas potencialmente agricultáveis para produzir alimentos e, de outro lado, um elenco de milhares de profissionais competentes que buscam os meios de ingressarem ou ampliarem seus negócios agrícolas neste grandioso e promissor ramo de atividades da produção de comida.
Garantindo o mercado externo estão grandes consumidores de alimentos. A balança comercial brasileira apresenta resultados favoráveis na negociação de produtos agrícolas. País populoso como a China amplia seu leque de compras no Brasil adquirindo, além da soja, agora também o milho como outro grão altamente disputado. A produção de etanol a partir do milho também contribui para garantir mercado voraz para este grão. Em Mato Grosso, como exemplo, estão instaladas 18 usinas e mais dez já estão autorizadas para produção deste biocombustível. As perspectivas são muito boas e, portanto, pode-se investir na produção de grãos.
Como já ocorre há algum tempo, grande leva de profissionais agricultores reprimidos em zonas agrícolas tradicionais tanto no nosso vizinho estado de São Paulo como no sul do país já foram mobilizados e se estabeleceram no município de Uberaba, atraídos pelo programa de arrendamento de terras, aqui conduzido com sucesso através da Bolsa de Arrendamento de Terras.
Com uma ocupação territorial consolidada na produção de soja, milho, trigo e outros grãos, Uberaba deve agora diversificar mais, buscando produtores de pequeno e médio portes para cultivar hortifrutigranjeiros em áreas apropriadas, para tal valendo-se das extraordinárias condições ambientais existentes no município.
Ainda assim é oportuno que Uberaba procure fortalecer sua liderança regional, atuando junto aos vinte e três municípios em que se insere – o Triângulo Sul –, para que essas localidades promovam mobilizações de pecuaristas proprietários de terras aptas à produção de grãos, cedendo-as em arrendamentos para o cultivo de lavouras brancas.
Nesta extraordinária zona de influência de Uberaba, vinte e três municípios podem implementar desenvolvimento se substituírem cerca de 500 mil hectares de pastos degradados da região, nas condições atuais corroendo a economia local do comércio, da indústria e dos serviços, trocando-os por lavouras de grãos.
O que falta então para juntarmos a abundante disponibilidade de terra existente na região com o desejo aguçado de agricultores profissionais que ambicionam expandir suas atividades? Mobilizar lideranças locais para a cessão de terras aptas à produção agrícola utilizando a Bolsa de Arrendamento de Terras como instrumento de transformação que ora se apresenta.
José Humberto Guimarães
Consultor para Parcerias e Arrendamentos Rurais; ex-secretário municipal de Agricultura de Uberaba
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