Desde sempre, convivo com fantasmas e fantasias.
Estudante do Grupo Escolar Minas Gerais, tendo sido aluno da saudosa dona Esmeralda Bunazar, além da alfabetização plena, veio a orientação para o pensar.
Muito novo, ano após ano, a redação no Grupo, na volta às aulas, era “Minhas Férias na Fazenda”.
O bicho pegava, minha família não tinha fazenda e eu tinha que conversar com os colegas cujos pais e avós tinham e exercitar a criatividade.
Custava um pouco, mas saía e talvez venha daí meu desejo do livre expressar e exercitar a escrita, a leitura e o contato com a arte e a cultura. Afinal, minhas férias eram na praia.
Rapidamente cheguei ao Colégio Marista Diocesano, nova sucessão de grandes mestres, e aí encontro Janice Salomão, Irmão Sílvio Casério....
Aprendi rápido a conhecer nossa situação, de sempre termos o mais do mesmo.
Caminhando pelas salas, corredores e demais áreas do Maristão, fomos entendendo a década de 70.
Ia de um espaço ao outro, conversando sobre vários assuntos e, já no colegial, lamentando a expressão farinha do mesmo saco, quando o tema era política.
Ainda deu tempo de enfrentar o vestibular e a Faculdade de Engenharia e Economia, sendo permanentemente observado ou vigiado.
Liberdade era um valor intangível, até que Tancredo Neves, José Aparecido, dr. Samir Cecílio e Mario Palmério vieram para uma prosa com os estudantes.
Infelizmente, os rumos e rumores se dissiparam e cada um seguiu um caminho.
Belas manhãs e tempo de acreditar no sonho de poder nos expressarmos de forma ampla, com responsabilidade e regozijo.
Esperança. Expressão de um sentimento de recomeço e de um país para todos. Razão e Emoção. Redações livres nas escolas e na imprensa.
Dia após dia, a década de 80 caminhava para novos tempos. Democracia Corintiana. Um orgulho.
Apesar das imperfeições e erros, tudo podia ser mudado, consertado. Constituição nova.
Direita e Esquerda, além de balizarem o trânsito, tinham expoentes que dialogavam.
E hoje, em pleno 2026, o que temos?
Um Brasil dividido, emburrecido, arrogante, intolerante e que sairá das urnas derrotado, qualquer que seja o resultado. O pior ainda não será o resultado, será a governança que a escolha errada pode nos impor.
As novas gerações não sabem o que é viver efetivamente sem liberdade.
A velha geração, e já percebo isto há tempos, ou esqueceu ou o que adormeceu nos anos 80 ressuscitou pior nos últimos 8 anos. O casuísmo e o oportunismo grassam país afora, sem que as pessoas busquem o diálogo.
A vida nas redes sociais parece ter tornado o ser humano alguém bem menos afável. A valentia do anonimato tem feito surgir indivíduos cada vez mais sem noção do sentido da vida.
Espero que, hoje, 25/10/2026, todos, indistintamente, que podem comparecer às urnas, o façam e votem no candidato que soberanamente escolha a democracia e a liberdade como valores inalienáveis. O Brasil precisa avançar.
A reflexão é necessária e importante. Por Uberaba. Por Minas Gerais. Pelo Brasil.
Lembre-se da nossa bandeira: “LIBERTAS QUAE SERA TAMEN”, traduzindo: “Liberdade, ainda que tardia”.
Vamos honrar os nossos. Sem retrocessos.
Karim Abud Mauad
karim.mauad@gmail.com