ARTICULISTAS

Democracia e Liberdade na mesma direção

Karim Abud
Publicado em 24/10/2026 às 16:02
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Desde sempre, convivo com fantasmas e fantasias.

Estudante do Grupo Escolar Minas Gerais, tendo sido aluno da saudosa dona Esmeralda Bunazar, além da alfabetização plena, veio a orientação para o pensar.

Muito novo, ano após ano, a redação no Grupo, na volta às aulas, era “Minhas Férias na Fazenda”.

O bicho pegava, minha família não tinha fazenda e eu tinha que conversar com os colegas cujos pais e avós tinham e exercitar a criatividade.

Custava um pouco, mas saía e talvez venha daí meu desejo do livre expressar e exercitar a escrita, a leitura e o contato com a arte e a cultura. Afinal, minhas férias eram na praia.

Rapidamente cheguei ao Colégio Marista Diocesano, nova sucessão de grandes mestres, e aí encontro Janice Salomão, Irmão Sílvio Casério....

Aprendi rápido a conhecer nossa situação, de sempre termos o mais do mesmo.

Caminhando pelas salas, corredores e demais áreas do Maristão, fomos entendendo a década de 70.

Ia de um espaço ao outro, conversando sobre vários assuntos e, já no colegial, lamentando a expressão farinha do mesmo saco, quando o tema era política.

Ainda deu tempo de enfrentar o vestibular e a Faculdade de Engenharia e Economia, sendo permanentemente observado ou vigiado.

Liberdade era um valor intangível, até que Tancredo Neves, José Aparecido, dr. Samir Cecílio e Mario Palmério vieram para uma prosa com os estudantes.

Infelizmente, os rumos e rumores se dissiparam e cada um seguiu um caminho.

Belas manhãs e tempo de acreditar no sonho de poder nos expressarmos de forma ampla, com responsabilidade e regozijo.

Esperança. Expressão de um sentimento de recomeço e de um país para todos. Razão e Emoção. Redações livres nas escolas e na imprensa.

Dia após dia, a década de 80 caminhava para novos tempos. Democracia Corintiana. Um orgulho.

Apesar das imperfeições e erros, tudo podia ser mudado, consertado. Constituição nova.

Direita e Esquerda, além de balizarem o trânsito, tinham expoentes que dialogavam.

E hoje, em pleno 2026, o que temos?

Um Brasil dividido, emburrecido, arrogante, intolerante e que sairá das urnas derrotado, qualquer que seja o resultado. O pior ainda não será o resultado, será a governança que a escolha errada pode nos impor.

As novas gerações não sabem o que é viver efetivamente sem liberdade.

A velha geração, e já percebo isto há tempos, ou esqueceu ou o que adormeceu nos anos 80 ressuscitou pior nos últimos 8 anos. O casuísmo e o oportunismo grassam país afora, sem que as pessoas busquem o diálogo.

A vida nas redes sociais parece ter tornado o ser humano alguém bem menos afável. A valentia do anonimato tem feito surgir indivíduos cada vez mais sem noção do sentido da vida.

Espero que, hoje, 25/10/2026, todos, indistintamente, que podem comparecer às urnas, o façam e votem  no candidato que soberanamente escolha a democracia e a liberdade como valores inalienáveis. O Brasil precisa avançar.

A reflexão é necessária e importante. Por Uberaba. Por Minas Gerais. Pelo Brasil.

Lembre-se da nossa bandeira: “LIBERTAS QUAE SERA TAMEN”, traduzindo: “Liberdade, ainda que tardia”.

Vamos honrar os nossos. Sem retrocessos.

Karim Abud Mauad

karim.mauad@gmail.com

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