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A ÚNICA SAÍDA

Karim Abud Mauad
karim.mauad@gmail.com
Publicado em 24/04/2026 às 17:48
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As divergências humanas são inerentes ao jeito de cada um. A célebre comparação do copo meio cheio e meio vazio, do ponto de vista do olhar de cada um de nós, já justifica a afirmação inicial. A dificuldade maior vem quando cada um inclui todo o processo que o formou no próprio contexto, sua estrutura familiar, suas crenças e sua fé, sua escolaridade, o meio onde cresceu e floresceu, seus relacionamentos, sua bagagem social e cultural; aí tem o copo totalmente vazio ou totalmente cheio, tem quem não enxerga o copo, tem quem vê, mas não enxerga. A mistura é tão grande que estamos onde estamos.

Estes fatos acontecem no nosso dia a dia, no trabalho, em casa, nas escolas e faculdades e, ainda, pior e potencializado nas redes sociais, onde, nesta terra sem lei, todos se sentem no direito de serem donos de tudo: opiniões, fatos, verdades, mentiras e mediocridades.

Estes dias eu estava avaliando postagens de grupos de WhatsApp e Instagram e, no primeiro, achei pérolas e personagens de fazer corar qualquer normalista ou freira das antigas.

Vi postagens que a própria escrita não condiz com o estilo de quem postou, seja falando ou escrevendo. Tive a sensação do uso de terceiros e não de IA, e, professor de uma longa jornada, logo recordei os trabalhos que recebia de alguns alunos, com linguagem tão distinta da usada na rotina das aulas que era fácil desmascarar a farsa; bastava apenas pinçar uma palavra aqui e outra acolá e pedir o significado, fazendo o dito cujo gaguejar e acabar admitindo uma ajuda de outrem. Estou suavizando o texto para evitar desdobramentos, mas era fácil pegar o aluno na mentira.

Hoje ficou mais complexo, reconheço, mas, com paciência, você logo percebe o embuste.

Em ano eleitoral, vamos ter que ficar atentos para não comprar gato por lebre, mas o histórico e o currículo estarão disponíveis para o cidadão se preparar e votar com o mínimo de consciência. E, claro, isto será válido para o eleitor com alguma responsabilidade coletiva, pois as torcidas e os sugestionados já estão compromissados. Basta avaliar sua rede de relacionamentos e isto restará claro.

Outra situação inusitada passa por quem é valente para se expressar no contexto nacional e covarde no contexto estadual ou municipal. Os arranjos próximos ou da estimação têm justificativas e defesas fervorosas; as contrárias têm pitos públicos. O jogo é bruto demais e não é para todos. Os arranjos vêm de longe, apenas para serem validados na paróquia, mas o salvador é universal.

É sempre um desafio tentar traduzir determinados arranjos, com o zelo e o cuidado de gerar reflexões, evitando escrever aquilo que todo mundo já sabe ou comenta na mesa do café e do botequim.

Então, avalie, qual é a única saída para você? Penso e acredito na imperfeição da democracia, com deveres e direitos, com escolhas que nos permitam sonhar... afinal, como diz o eminente desembargador Luís Carlos Gambogi, do STJ, mineiro do Sul de Minas, à Concept, “quem não sonha não anda”.

 Karim Abud Mauad  

karim.mauad@gmail.com

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