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Amém

Karim Abud Mauad
Publicado em 06/08/2026 às 18:14
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Estes dias, recebi fotos, vídeos e áudios da minha mãe, Josephina, folheando meu livro “Pensamentos em Movimentos”, em um momento de descontração, em seus 96 anos recém-completados.

Confesso que me emocionei, mas a emoção veio das lembranças e dos exemplos de uma vida.

Alegria vivida em família, no sentido pleno e efetivo sobre a representatividade de Família, sempre com aqueles da caminhada do dia a dia.

Reflexões, apenas reflexões.

Saudades das prosas no Mauad Café, nos Hotéis Mauad e Palácio. Nossas inúmeras reuniões para comemorar de tudo: nascimentos, batizados, aniversários, formaturas, casamentos e muitas Copas do Mundo. Os motivos eram vários e, claro, tínhamos também os encontros com os amigos. E os exemplos eram muitos, vinham das tias Mantura e Belinha, junto com dona Josephina. Delas herdei o gosto pelas letras, artes, teatro, cultura, enfim, meu entendimento de mundo.

Tia Kermes e madrinha Júlia esbanjavam simpatia, mas tia Asmé tinha o dom da culinária árabe. Até salivo, sentindo o gosto e o cheiro da esfiha e do pão sírio. Tia Elza... por onde começo? Pelas saladas ou pelos doces? E aí paro, com uma vontade de brecar o tempo.

Dos tios, Chafic, Nagib, José e do meu pai, Ramid, a retidão do caráter, o trabalho e, sempre, mesmo não sendo rotarianos, o exemplo do servir, o Dar de Si Antes de Pensar em Si. Tio Felício não conheci, mas convivi com seu filho José Humberto, o nosso doutor, mais um dos loucos pelo Uberaba Sport Club. Se vivo fosse, estaria estupefato com a derrota deste ano.

E aí vieram os primos, os filhos dos primos, meu irmão, Samir, nossos filhos, esposas e vamos rompendo e vivendo, lembrando das nossas eiras e beiras.

Recordo também da saudosa primeira-dama dona Beatriz Guido, do doutor João Guido, dos meus padrinhos, Jamir e Jandira Abdalla; padre Eddie Bernardes, entre tantos com quem convivemos. Eles deixaram muitas contribuições e grandes exemplos, afinal naquela época o conceito de família agregava todas essas pessoas incríveis.

Recordações sucintas, um recorte breve de aproximadamente 60 anos, com algumas passagens esquecidas, mas sem cairmos no efeito Mandela.

Estas lembranças me ajudam a superar estes momentos tristes que estamos presenciando no mundo. O abuso dos poderosos, as guerras, as migrações, com este último episódio de Ceuta, na Espanha; as negligenciadas mudanças climáticas, a revolução tecnológica, que faz uma empresa valer 3 trilhões de dólares em junho e perder 50% desse valor no início de agosto, tudo em 2026.

E pior: as lambanças da política, para ficar no estranhamento, nivelando por baixo os processos de decisão e, no mínimo, gerando arranjo e desistências, neste jogo de cartas marcadas. Um exemplo, o episódio Cleitinho. Já vi muita coisa acontecer em política. Lembro do governador Magalhães Pinto e sua famosa frase “política é como nuvem: você olha, está de um jeito; olha de novo, já mudou”. O vídeo do recuo me fez sentir no Universal Dramalhão Mexicano. Pobre das nossas “Minas e das Gerais”. Só faltou pedirem para o espírito deixar o corpo. Ainda bem que ninguém caiu da escada ou escorregou nas bravatas da praça. E a cidade se chama Divinópolis, sem trocadilhos ou piada pronta. Foi triste. É o retrato de Minas e do Brasil. Melancólico.

E, para finalizar, ainda tenho que lidar com postagens e comentários em vários grupos de pessoas que respeito, mas creio deveriam buscar um especialista em olhos e ouvidos.

Ainda bem que tive um tempinho para minhas lembranças de infância. Sobrevivi.

Amém.

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