ARTICULISTAS

Da dor coletiva ao descaso estrutural

Karim Abud Mauad
karim.mauad@gmail.com
Publicado em 05/03/2026 às 18:09
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Fevereiro se finda com muita chuva e tragédias. A Zona da Mata mineira, notadamente Juiz de Fora e Ubá, está sofrendo muito. Já que entra governo e sai governo, nada é feito; temos nós, a sociedade, que ajudar nossos irmãos mineiros. Momento de solidariedade, com várias entidades, conselhos, bancos, entre outros, com campanhas postas. Se cada um contribuir um pouco, venceremos mais esta. Infelizmente, várias vidas se perderam.

O que me chateia neste assunto é a recorrência e o descaso com soluções preventivas de engenharia, sabidas e nunca executadas.

O que me chateia neste assunto é que recursos tinham nos orçamentos, mas vidas humanas nunca são prioridade.

O que me chateia neste assunto é que os em torno de 70 mortos, número ainda não definitivo, virarão apenas estatística do ponto de vista macro e tristeza mesmo para os familiares.

E o pior é que os responsáveis já estão envolvidos nas campanhas políticas, e as soluções serão promessas invariavelmente renovadas quando a próxima tragédia acontecer.

E, por falar em política, este ano será sangrento. As mostras destes últimos dias no Congresso Nacional são de fazer inveja aos cartéis mexicanos.

O Brasil tem oficialmente 526 anos de história, se considerarmos o descobrimento em 1500, e a sensação é de descaso com coisas sérias e importantes desde sempre.

A vida vai se desenrolando e as prioridades e as necessidades do povo vão sendo escanteadas. Aliás, saudades do Jô Soares e do Chico Anysio, com seus personagens antológicos de outrora. Eles são tão atuais que nem precisariam de emendas. As piadas já estão prontas. Os anões do orçamento de outrora parecem ressurgir no agora, mesmo sem penduricalhos.

Não sei o dado exato hoje, mas o orçamento brasileiro tem tanta despesa obrigatória/vinculada que sobra pouco para investimento. E ainda, invariavelmente, temos gestão temerária. E vamos perdendo oportunidades, tendo nossa infraestrutura dilapidada e encorpando o custo Brasil. Assuntos como estes não sensibilizam nossos parlamentares, que ficam gastando tempo em comissões processantes, sem resultado prático. O interessante disto é ver o discurso de alguns, quando o tema é política nacional, se esvair pelo ralo quando o tema é local.

Os fatos recentes são hilários, ou seriam cômicos, mas de fato são trágicos. A prosa para Brasília não se sustenta em Belo Horizonte e fica perdida em Uberaba. E olha que sou cético, sou daqueles que não acreditam em comissões processantes, afinal, invariavelmente, são atos políticos, sem consistência técnica. O registro é pelo fato de quem era pedra ontem ser vidraça hoje, e aí a teoria na prática é outra.

Não vamos desperdiçar energia, pois este bem escasso pode nos levar a perder investimentos por aqui e, pior, investimentos já em funcionamento, mas que encontram dificuldades de expansão. O que está acontecendo? A resposta deve vir de quem está qualificado para tal.

Estes dias, recebi do prezado dr. Nilson Roso, em um grupo de WhatsApp, a relação do corpo clínico médico do Hospital Santa Cecília, na década de 1950. E o encaminhei para alguns amigos, filhos dos médicos citados, meu irmão Samir e ao médico Cleber Sérgio, com saudades e, claro, reflexões sobre nosso passado glorioso.

Uberaba, se entender ser importante voltar aos seus dias de glória, tem que jogar vaidades e incompetências fora e começar unida em todos os sentidos e, de fato, escolher representantes com vínculos com a cidade e a região, mas com currículo de serviços prestados. Caso contrário, vamos continuar desperdiçando nossa energia em vão.

Encerro entristecido pela perda repentina do meu amigo e ex-aluno Fabiano França Mendonça Silva e externo todo nosso pesar. A vida vai!

 karim.mauad@gmail.com

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