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Entre Estados Unidos, China e Paraguai: Reflexões sobre o Brasil

Karim Abud Mauad
karim.mauad@gmail.com
Publicado em 26/05/2026 às 18:12
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Tem um dito popular interessante: avô rico, filho nobre e neto pobre. Não sei se procede, creio ser mais difícil isto ocorrer nos tempos atuais, mesmo que, ora aqui, ora acolá, apareça um caso desses na mídia nacional, tradicional e social. No fundo, hoje as brigas e as notícias são mais sobre sucessão e menos sobre perdas, como no passado. Aconteceu um exemplo com Jorginho Guinle, fato conhecido principalmente para quem conheceu a história e tem 50+.

Ocorre que o fenômeno pode envolver as cidades e os países também. E, para ilustrar, gostaria de me situar neste contexto, falando sobre Estados Unidos, China e Paraguai.

No passado, os Estados Unidos eram incontestavelmente a grande potência mundial, sem qualquer discussão. Após a Segunda Guerra Mundial e com os diversos tratados e órgãos multilaterais criados, os americanos se consolidaram no papel de polícia e tendo o dólar como a moeda de referência da economia. Esta situação sobreviveu à Guerra Fria com a União Soviética, aos dissabores do Vietnã, à chegada à Lua, à crise do petróleo dos anos 70, ditou a cultura em todos os aspectos e as regras da globalização, entre outros.

Neste intervalo, a China foi se transformando lentamente, colocou seus melhores cérebros espalhados pelos maiores centros científicos e acadêmicos da Terra e foi aprendendo, deixando as coisas e produtos de segunda linha made in China no passado e se transformando no chão de fábrica do planeta. Com uma população imensa e com um capitalismo de Estado, disfarçado de comunismo, foi se transformando passo a passo e hoje é a segunda economia do mundo, com perspectivas de predominância futura, por ações estratégicas bem diferentes da primeira, a americana.

A simples visita do atual presidente americano, bem diferente da aproximação feita no passado pelos seus pares, demonstra este fato.

Não me preocupo com o jogo de narrativas, apenas com as estratégias, como já salientei em outros artigos.

Este início, sem preocupação com datas e detalhes históricos, apenas serve para alicerçar o caminho que precisamos trilhar enquanto nação. Vale toda a nossa reflexão.

E o Paraguai, onde entra nesta história?

O Paraguai é a bola da vez, na referência dos brasileiros, virou a panaceia da elite brasileira e caminha para ancorar o desejo de muitos que não conseguem tentar a sorte nos EUA e muito menos na Europa, entrando por Portugal, já que ambos endureceram as regras de acesso em suas fronteiras.

É diferente, pois teve o auge do Chile, cuja economia é menor que a do estado de São Paulo, e hoje é o Paraguai, cuja economia é menor que a da cidade de São Paulo. Dito isto, precisamos tratar tudo com muita cautela, pois ainda estamos entre as 15 maiores economias do mundo.

Outro detalhe interessante é que a delação do “banqueiro” Daniel Vorcaro envolve cifras maiores que o orçamento anual de 25 das 27 capitais brasileiras, ficando atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Vale também uma reflexão.

O Rio de Janeiro é outro capítulo à parte neste processo. O Brasil é muito rico e até resiliente; se somarmos os escândalos dos últimos 80 anos, creio que compraríamos a América do Sul inteira e uma boa parte da América Latina. Se voltarmos ao descobrimento, ao Império e aos primórdios da República, talvez fôssemos, de fato, os Estados Unidos do Brasil, ou não?

E tudo isto veio para mostrar o cuidado que temos que ter ao lembrar que quem financiou nosso cerrado foi o Japão e hoje a China segura nosso comércio e indústria, e nós não deveríamos ter preconceitos com uns e ilusões com outros. A história sempre se repete quando nos quedamos aos modismos e afrescos de aceitar dominâncias culturais de A ou de B, evitar subordinações a C e, de fato, trabalhar para o Brasil, mesmo com o diagnóstico feito e apesar dele.

Não sou ufanista nem tolo, já vivi o suficiente para entender o jogo de interesses, mas também não posso ficar inerte com a subserviência ao americano, o receio do Oriente e a ilusão com o vizinho, sem entender nossos formadores de opinião e suas análises enviesadas, mesmo que aparentemente bem-intencionadas.

Precisamos, sim, lutar pelo Desenvolvimento do Século XXI, com novos parâmetros e usando nosso potencial alimentar, energético, climático, mineral, populacional e não apenas nos quedarmos aos modismos e ao complexo de vira-latas, do saudoso Nelson Rodrigues.

A situação parece encontrar amparo por aqui, e o fato de apenas olharmos para os vizinhos, sem vontade de fazer nossa parte, pode nos tornar parte desse problema.

O ditado do início e a análise feita se aplicam ao nosso estado e à nossa cidade? Estamos na fase dos netos e herdeiros?

 Karim Abud Mauad

karim.mauad@gmail.com

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