ARTICULISTAS

Perdemos a Copa. As Bets, não

Karim Mauad
Publicado em 10/07/2026 às 15:33
Compartilhar

Ressaca pós-Copa para uns, vida normal para alguns. Passado o momento em que todos, de uma forma ou de outra, acompanharam o Brasil na Copa do Mundo, vamos, de fato, constatando que ganhar ou perder é parte do jogo de futebol, cuja magia é a possibilidade do time inferior tecnicamente se desdobrar e ter chances reais de ganhar. É o esporte onde o poderio financeiro e a camisa, a tradição de outras Copas, não necessariamente entram em campo, e os espetáculos vão se sucedendo e nos surpreendendo. Ainda tem quem ganha perdendo e quem perde ganhando.

Os dois últimos jogos da atual campeã Argentina, contra Cabo Verde e Egito, são a prova cabal deste fascínio. Dois jogos espetaculares que demonstram toda esta magia. A campeã ganhou os jogos; os adversários, a admiração do mundo.

A recuperação da Bélgica, após estar perdendo para o Senegal até os últimos minutos e, na sequência, a vitória sobre os Estados Unidos, foi outra face ímpar deste esporte. Assim como o triunfo da Inglaterra sobre o México, em casa, no Estádio Azteca, aliás, a primeira derrota neste estádio em três Copas realizadas naquele país.

Neste momento em que escrevo, já se conhecem os oito times que brigarão pela semifinal, com maioria europeia (seis), um africano e um sul-americano.

A participação brasileira, já esperada, poderia ter sido melhor, com certeza. Ocorrem critérios, escolhas, postura da entidade maior do nosso futebol e falta de brio de nossa seleção, sempre discutíveis e cujo resultado, ficar entre as dezesseis, fala por si e não condiz com nossa capacidade nominal.

A Copa e suas diversas derrapadas de postura pelos anfitriões, torcidas, dirigentes e políticos de determinados países ficarão marcadas pela ridícula atitude ditatorial e burlando regras dos presidentes Infantino (Fifa) e Trump (USA), no caso da invalidação do cartão vermelho do jogador americano pós-jogo, ou fora das quatro linhas do campo. Este fato, por si só, empana o brilho do maior evento esportivo da Terra e demonstra a real situação geopolítica que vivemos. Uma tristeza que não foi a única e, lamentavelmente, não será a última.

Neste quesito, o torneio de futebol ilustra o que vivemos hoje de modo geral, inclusive o lamentável incidente racista entre uma senadora paraguaia e o jogador francês Kyllan Mbappé, prontamente rebatido pelo Executivo do país vizinho, mostra o quão temos que evoluir enquanto seres humanos.

Vozinha, de Cabo Verde, e outros jogadores geram histórias lindas, e os que deveriam ser exemplo... nos envergonham e nos entristecem.

Difícil assistir aos jogos e não bater nostalgia de outrora, quando o Brasil tinha time, seleção e garra. Hoje, nossos jogadores espelham o país que vivemos, dividido, sem norte e com interesses econômicos e comerciais prevalecendo. Vejam a lista dos convocados e seus interesses comerciais, sejam pessoais e coletivos.

E, para piorar, fica o alerta sobre as Bets, envolvidas em patrocínios e que geraram um volume de apostas descomunal. O brasileiro sai sem o hexa de título e sem dinheiro.

Talvez este deva ser o nosso próximo ponto de atenção, qual seja, brecar o estrago das Bets na vida do brasileiro. Vamos buscar este título? Eliminar este jogo nefasto, talvez seja o nosso verdadeiro jogo.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por