No meu último artigo aqui publicado, intitulado Amém, tratei de situações muito caras e de momentos especiais importantes na minha vida e na minha formação. E a saudade veio a partir de um evento com minha mãe e emoldurou toda uma análise posterior do atual ambiente político nacional.
Após a publicação do texto e focados na parte da família, recebi dois retornos que quero aqui compartilhar. Um veio da Mariângela Abrão e outro do Antônio Noronha, dois seres humanos incríveis a quem tenho a honra de chamar de amigos. Vejam:
Antônio Noronha:
“A saudade é isso – o que ficou sem se desfazer. Os cheiros, as vozes, o calor dos que já não estão perto.
Ela não pede pressa nem solução – pede que a gente pare e reconheça que aquilo tudo existiu, e que vale o pesar.”
Agora, Mariângela Abrão:
“A nostalgia é uma das ilusões mais poéticas da mente humana – o truque de editar o passado até que restem apenas a luz suave e a sensação de acolhimento.
Ao contrário da saudade – que muitas vezes é a dor direta de uma falta concreta –, a nostalgia é um filtro emocional.
Ela não resgata os fatos exatamente como aconteceram, mas sim a sensação de segurança, simplicidade ou pertencimento que associamos a um tempo que não volta mais.
É por isso que sentimos nostalgias de épocas nas quais nem fomos totalmente felizes, ou de fases que na época pareciam banais.
Olhar para trás nos dá a falsa e aconchegante impressão de que tudo era melhor.
“A nostalgia é o desejo de um tempo que não pode ser recuperado, e por isso é a forma mais refinada de dor e de beleza” – Simone de Beauvoir
Essa doçura amarga faz da nostalgia um refúgio poderoso quando o presente se torna pesado.
Ela nos reconecta com nossa própria história, lembrando-nos de quem fomos na infância, do lugar que ocupávamos no mundo ou na família e nas velhas amizades.
O final, só entendedores entenderão, e isso é muito triste.”
E ambos, Antônio e Mariângela, ainda teceram alguns comentários mais específicos desses tempos tenebrosos.
E o recrudescimento de certas doenças extintas, e o regozijo de alguns e não poucos, em ter prazer na ignorância, é sufocante.
E não é que o Cleitinho voltou. Sinal dos tempos, será o fim? Ou o começo?
Em síntese, encerro na terrinha, com o orgulho de ter assistido ao vivo à homenagem do Wellington Sene, da Aprobov, ao José Humberto Guimarães, por tudo que fez e ainda faz pelo Agro, pelo campo, pelo produtor, por Uberaba. Fica aqui minha satisfação e gratidão, pois reconhecimento em vida, no momento em que pessoas teimam em esquecer quem faz, é muito além de nostalgia, é vida com esperança.
Novamente, Amém!