ARTICULISTAS

Brasis de Ipês e Ypês

Luiz Cláudio dos reis Campos
Publicado em 19/05/2026 às 17:58
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O repertório parece não mudar, muda o tema, o assunto é o mesmo. Uma parcela do povo brasileiro resolveu resgatar a cloroquina em forma de creolina urbana. O grau de alucinação voltou borbulhante nas redes sociais, que até banana com casca virou refresco diante do chafurdar nas espumas de detergentes e alvejantes que infectam a capacidade cognitiva de tanta gente em shows de horrores e cretinices inacreditáveis. O ápice da barbaridade são as cenas de ingestão do produto da marca Ypê para se registrar a Indignação e revolta com a atuação da Anvisa, que passou a ser execrada por cumprir legalmente e habitualmente uma de suas incontáveis atribuições. A Pseudomonas aeruginosa, nome da bactéria considerada inofensiva pela turba delirante, virou uma bacteriazinha utilizada como microrganismo de desmoralização da macroempresa autuada pela Anvisa. A Pseudomonas, sem saber o que ocorre, ganhou notoriedade virtual através de uma orgia frenética embalada pelo ódio, desinformação, manipulação, oportunismo, leviandade e sobretudo exploração da ignorância alheia. Tudo junto e misturado dentro das PETs de detergentes, amaciantes, desinfetantes. Elementos miscíveis que formam o caldo grotesco que se misturam, completamente, esperteza e calhordice com ignorância e estupidez, formando um produto de aparência homogênea, como água e álcool. O final é a soma de 1.001 inutilidades a desserviço da ciência e do avanço civilizatório em nítida colisão com o atraso e a politização precária e chula de um assunto de tamanha relevância para a saúde pública. O vale tudo eleitoral se apresenta com um arsenal de fakes e bizarrices que o inusitado é banalidade. Preparemo-nos. Anvisa é apenas um aviso do que vem por aí. Como a seca se aproxima, aguardemos a beleza do ipê florido, com sua exuberância e imponência. Um verdadeiro símbolo da flora do Brasil, principalmente o amarelo, saudável e livre de bactérias vegetais, como a Erwínia ou Pseudomonas. Sérgio Arouca, um dos importantes médicos sanitaristas brasileiros, com enorme contribuição para a criação do SUS, era daqueles que estendiam a dimensão da compreensão de saúde como algo além de ausência de doença: “Saúde não é simplesmente ausência de doenças, é muito mais que isso. É bem-estar mental, social, político”. Saúde é democracia”. Portanto, o foco é outro e a assepsia é Master.

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