ARTICULISTAS

“Ouvo” muito bem não é mineirês

Luiz Cláudio dos Reis Campos
Publicado em 06/05/2026 às 18:24
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Soou como crítica generalizada aos mineiros a fala do ministro do STF, Gilmar Mendes, quando ele se referiu ao ex-governador Zema dizendo que seu idioma é algo próximo ao português. Imediatamente, muita gente aqui de Minas foi às redes sociais criticar e atacar o ministro no afã de defender o ex-governador. Como a época é de efervescência política e pré-eleitoral, muitos enxergaram a oportunidade de replicar intensamente o episódio, principalmente o ex-governador, para capitalizar dividendos em visibilidade, curtidas e compartilhamentos. Criadores de conteúdo, indignados, expressaram seu sentimento de bairrismo dando a entender que o mineirês fora ridicularizado. Confesso que, como mineiro, não tomei para mim a alusão do ministro como um deboche ou desprezo ao nosso modo de falar. Creio que ele se ateve especificamente ao ex-governador, que, na minha humilde e singela opinião, a sua maneira de se expressar, tanto na forma como no conteúdo, não serve como exemplo da fala típica mineira. Mesmo porque, como dizia Guimarães Rosa, “Minas são muitas” e nesse contexto é uma síntese do Brasil e o que nos converge linguisticamente são expressões e termos genuinamente nossos que nos confere identidade, no Brasil e no Mundo, como são os casos de “trem, uai, arreda, sô...”. O que têm de semelhança em ritmo e entonação JK, de Diamantina; Tancredo, de São João del Rey; Itamar Franco, de Juiz de Fora; Aureliano, de Três Pontas; Darcy Ribeiro e Carmen Lúcia, de Montes Claros; Drummond, de Itabira; Lima Duarte, de Sacramento; Chico Xavier, de Pedro Leopoldo e Uberaba; Adélia Prado, de Divinópolis, escritora e não radialista; Lô Borges, de BH; Pena Branca e Xavantinho, de Uberlândia; Moacir Franco, de Ituiutaba, e tantos outros e outras que nos permitem afirmar que, pela fala e sotaque, são mineiros, sem que soubéssemos que são naturais de MG? O que eles não têm ou não tinham em comum é ou era o costume de dizer: “ouvo” muito bem, para mim fazer, não sou uma pessoa “beliscosa” e por aí vai. Nada disso é mineirês, é falta de um aprendizado mais embasado em português de alguém muito privilegiado que defende o trabalho infantil. Tá aí a prova que lugar de criança é na escola.

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