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As fábricas da Mosaic Fertilizantes

Marco Antônio de Figueiredo
Publicado em 11/04/2026 às 10:27
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O fechamento das fábricas da Mosaic Fertilizantes em Araxá e Tapira, com o corte sumário de praticamente 1.200 funcionários, é o prelúdio de um delírio econômico sem precedentes.

Enquanto o Alto Paranaíba sangra postos de trabalho, um silêncio sepulcral paira sobre a unidade de Uberaba, e tratar a maior fábrica de fertilizantes da América do Sul como uma peça descartável é acreditar que o PIB se alimenta de boas intenções e posts em redes sociais.

Para esse plano “genial” funcionar, teríamos que extinguir o agronegócio por decreto, convertendo o celeiro do mundo em um jardim contemplativo de ervas daninhas.

O impacto seria um espetáculo à parte: a balança comercial despencaria em um abismo, enquanto o custo de importação de insumos drenaria nossas reservas de dólar mais rápido que um vazamento de amônia.

Sem o fósforo e o potássio produzidos aqui, o produtor rural vira um refém de luxo de fretes marítimos e guerras distantes. A dependência externa total é a receita para uma “soberania de papel”.

Talvez o plano seja substituir a produtividade por ideologias estéreis, esperando que a terra, por pura teimosia política, decida brotar nutrientes sem ajuda química. É uma matemática cruel, pois ao asfixiar a produção interna, sabota-se a espinha dorsal da economia que sustenta o continente.

O agro não é um acessório, é a base que impede o desmonte logístico total da nação, e desativar uma fábrica gigante como a que tem em Uberaba seria assinar o atestado de óbito para milhões de empregos que orbitam a cadeia rural.

O mercado financeiro assiste a tudo com o entusiasmo de quem vê um navio ser afundado pelo próprio capitão para economizar combustível. É o triunfo da retórica de escritório sobre a realidade do campo, onde a segurança alimentar é sacrificada em nome de uma “pureza” industrial de gabinete.

No final, restará a ironia de importar comida de quem teve a “ousadia” de manter suas fábricas funcionando, ou para ver se a autonomia produtiva terá a nobreza de saber que seremos irrelevantes e famintos, com orgulho.

No teatro do absurdo sul-americano, o desmonte dessas fábricas é o ato final de uma peça onde o público, no fim das contas, é quem paga a conta e morre de fome.

 Marco Antônio de Figueiredo

Articulista, advogado e jornalista

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