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Computadores – Sentido – Mente e Mundo

Marco Antônio de Figueiredo
Publicado em 10/03/2026 às 18:42
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Nesta semana, tive a honra e a alegria de receber novamente em minha casa a visita de dr. Jurandir Sebastião, velho amigo, juiz aposentado, escritor e de uma memória e de uma sabedoria ímpares. Falamos sobre tudo e nada, rimos, contamos “causos” e, no final, fui presenteado com seu mais recente livro, “Religiosidade & Cosmologia, Cérebro & Computadores”, onde a obra parece convidar o leitor a ponderar se, ao criar máquinas cada vez mais poderosas, não estamos também redesenhando mapas conceituais de mente e espiritualidade.

O assunto, desde o título, é uma proposta ambiciosa de integrar campos tradicionalmente separados, a experiência religiosa, a compreensão cósmica do universo, as neurociências e as tecnologias cognitivas, em um único discurso analítico. Tal projeto reflete a própria trajetória acadêmica do autor, cuja produção transita entre medicina, psiquiatria e psicanálise, sem perder de vista as dimensões culturais e filosóficas envolvidas no fenômeno humano profundo.

A primeira força da obra está em seu enfoque interdisciplinar, que, em vez de tratar religião apenas como objeto de fé ou dogma, a situa como parte integrante da experiência humana, algo que dialoga com cosmologia e com a própria estrutura do cérebro humano.

Essa perspectiva ressoa com abordagens contemporâneas que consideram a cognição religiosa como produto tanto de fatores neurobiológicos quanto de símbolos culturais profundamente arraigados.

Ao abordar cosmologia, dr. Jurandir ultrapassa a mera descrição científica do universo e interroga como concepções de totalidade e origem informando tanto visões científicas quanto narrativas religiosas de sentido.

A cosmologia, segundo o autor, funciona menos como um catálogo de teorias físicas e mais como um pano de fundo para questionamentos existenciais, tais como: por que existe algo em vez de nada? Como a noção de universo influencia nossas concepções de transcendência?

No plano do cérebro humano, o autor estabelece um diálogo entre descobertas das neurociências e experiências espirituais, encontrando paralelos em pesquisas que investigam áreas do cérebro ativadas durante práticas meditativas e/ou místicas.

A inclusão de computadores no título não é acidental. Ela aponta para a reflexão sobre tecnologia como espelho e extensão das capacidades cognitivas humanas. Computadores, enquanto modelos de processamento de informação, levantam questões sobre inteligência, consciência e, em última instância, o que significa ser humano.

O autor articula os quatro termos: religiosidade, cosmologia, cérebro e computadores, é um convite a pensar em vez de propor respostas definitivas, pois o livro estimula a leitura crítica dos pressupostos que sustentam nossa compreensão de mundo, mente e transcendência, reconstruindo noções fragmentadas de realidade em uma narrativa que respeita a pluralidade de domínios, do científico ao existencial.

 Articulista, advogado e jornalista

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