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Tharsis Bastos... Um amigo que parte

Marco Antônio de Figueiredo
Publicado em 04/11/2026 às 19:15
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Existem partidas que doem mais do que conseguimos explicar.

Não porque a morte seja uma surpresa inevitável da vida, mas porque algumas pessoas são tão presentes em nossa caminhada que jamais imaginamos nossos dias sem elas.

Hoje, meu coração está mais triste. Partiu para outro plano espiritual Tharsis Bastos, um daqueles amigos raros que a vida nos presenteia e que, com o passar dos anos, deixam de ser simplesmente amigos para se tornarem irmãos.

Nossa história vem de longe... Começou nos tempos do Tiro de Guerra, quando a juventude ainda nos permitia acreditar que o mundo cabia nos nossos sonhos.

Depois vieram as poesias, as crônicas, os artigos políticos, as conversas sobre o cotidiano e aquelas confissões que somente amigos de verdade sabem compartilhar.

Vivemos intensamente os anos 70, 80 e 90.

Quantas noitadas, quantas serenatas, quantas madrugadas embaladas por versos, violões, ideias e discussões que pareciam não ter fim!

Éramos parceiros das palavras e, sobretudo, da vida. Dividíamos pensamentos, inquietações, alegrias, tristezas e até aquelas discordâncias que nunca foram capazes de diminuir nossa amizade.

Cabo Tharsis (como eu gostava de chamá-lo) tinha algo cada vez mais raro... a lealdade.

Era dono de uma sabedoria serena, de um discernimento admirável e de uma capacidade extraordinária de enxergar além das aparências.

Sabia ouvir, ponderar, aconselhar e, quando necessário, dizer aquilo que precisava ser dito.

Também foi um bom pai, daqueles que encontram na família uma das razões mais importantes de sua existência.

Incansável em tudo a que se dedicava, colocava empenho, inteligência e coração em seus compromissos.

Mas...  hoje não quero falar apenas de suas qualidades, quero falar da saudade que começa antes mesmo de conseguirmos compreender sua ausência.

Dói saber que não teremos mais aquelas conversas, os encontros, as confidências, as discussões políticas e as brincadeiras que nós entendíamos.

Dói pensar que algumas histórias ficarão sem continuação e que certas lembranças jamais poderão ser repetidas.

A vida tem dessas crueldades, pois permite que construamos amizades por décadas, mas não nos concede o direito de escolher quando elas devem terminar.

Ficam as fotografias, os versos, as histórias e, principalmente, aquilo que ninguém poderá nos tirar... a memória de uma amizade verdadeira.

Tharsis, meu amigo, meu irmão de caminhada, se existe alguma forma de eternidade, ela certamente começa na lembrança daqueles que nos amaram e jamais nos esquecerão.

Obrigado pelos anos compartilhados, pelas palavras, pela lealdade e pelos momentos que tivemos o privilégio de viver. Nossa amizade não termina aqui, ela continuará viva nas páginas que escrevemos, nas canções que cantamos e nas lembranças que o tempo jamais conseguirá apagar.

Vá em paz, meu irmão, e, se houver serenatas no céu, guarde um lugar para mim, quem sabe um dia a gente volte a reunir com outros companheiros, como Walter Bruce, relembrando os versos e os sonhos que ficaram pelo caminho.

Até qualquer dia, Tharsis Bastos... com a dor de quem perde um amigo, mas com a gratidão de quem teve o privilégio de encontrar um irmão.

Marco Antônio de Figueiredo

Advogado, Jornalista e Escritor

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