Esqueça o granizo ou as tempestades tropicais que costumam castigar nossas ladeiras. Em 2026, a previsão meteorológica para Uberaba aponta para um fenômeno muito mais barulhento e, certamente, mais caro: a chuva de políticos paraquedistas. Eles surgem do nada, geralmente equipados com um sorriso ensaiado, um santinho recém-impresso e uma súbita, quase mística, paixão pelo nosso zebu.
É fascinante observar a migração dessas aves de rapina eleitorais. Eles não sabem se a Leopoldino de Oliveira sobe ou desce, confundem a Univerdecidade com um bairro periférico, não sabem a diferença elementar entre a UFTM e a Uniube, pilares da nossa identidade educacional e econômica e desconfie imediatamente se acham que Peirópolis é o nome de um condomínio de luxo.
Mas... no segundo em que o Tribunal Superior Eleitoral abre as cortinas para o pleito, lá estão eles, pousando suavemente com seus recursos partidários e promessas de “trazer recursos federais” que, curiosamente, nunca parecem atravessar a barreira das BRs-050 e 262.
Uberaba, que em 2022 amargou a ausência de representantes diretos em Brasília e Belo Horizonte, tornou-se o terreno baldio favorito para quem precisa de uns mil votos “sobrantes” para fechar o quociente eleitoral.
A prefeita Elisa já sinalizou que a cidade precisa de nomes da terra, mas o paraquedista é um bicho audaz, não quer morar aqui, ele quer apenas o seu número digitado na urna, ou a verba de gabinete, em Brasília ou BH.
O roteiro é sempre o mesmo: um vídeo no Mercado Municipal, comendo um pão de queijo, e a promessa de que “Uberaba terá voz”. A voz, no entanto, some logo após a apuração, deixando para trás apenas o lixo impresso, entupindo nossos bueiros, já cansados de tanta água.
O sarcasmo atinge o ápice quando o “aventureiro das urnas” tenta simular uma conexão com a nossa geografia, pois aquele que pergunta onde fica o rio Uberaba ou o rio Grande para pescar não busca o lazer, ele demonstra, de forma caricata, que desconhece até mesmo o desafio do nosso abastecimento de água e a preservação das nossas bacias.
Nesta eleição de 2026, o eleitor uberabense tem duas opções: ou aprende a dobrar o paraquedas desses aventureiros antes que eles toquem o solo, ou aceita que o nosso título de eleitor virou passagem de primeira classe para quem só conhece a cidade pelo Google Maps.
Afinal, para quem cai do céu sem pedir licença, tem a certeza de que Uberaba é apenas uma pista de pouso conveniente antes do próximo voo rumo ao poder.
Marco Antônio de Figueiredo
Articulista, jornalista e advogado