Eu sou um cara ambicioso. Esse fato me acompanha desde que me entendo por gente. Não sei exatamente de onde vem esse impulso, essa inquietação constante, esse desejo quase visceral de ser melhor, conquistar meus objetivos e me superar — especialmente no campo profissional. Só sei que isso sempre esteve em mim, como uma espécie de motor interno que não se desliga.
Aprendi cedo que, se eu realmente quisesse construir algo sólido na vida, um dos segredos era não depender de ninguém. Não no sentido de caminhar sozinho, mas de não esperar que alguém me carregasse. A responsabilidade — pelo que eu queria, pelo que eu buscava, pelo que eu sonhava — sempre foi minha. E isso moldou meu jeito de pensar, de trabalhar, de existir no mundo.
Carrego comigo uma fórmula simples, mas que virou quase um mantra pessoal. Aprendi com um primo, que ouviu do fundador da empresa onde ele trabalhava — um sábio empresário japonês, para quem também tive a honra de trabalhar depois. A fórmula: R = P × (C + D).
C (Capacidade) e D (Dedicação) são variáveis que vão de 0 a 100. E, convenhamos: ninguém começa com grande capacidade. Falta experiência, falta repertório, falta técnica. Mas dedicação… essa sempre esteve ao alcance de qualquer um. Sempre. Dedicação é o mínimo que podemos oferecer quando ainda não sabemos oferecer mais. E, de certa forma, é ela que abre o caminho: quanto mais estudamos, observamos, erramos e tentamos de novo, mais nossa capacidade cresce — e cresce rápido.
Mas há um ponto nessa equação que, com o tempo, eu percebi ser o mais crucial: o P, de Pensamento. Diferente de C e D, o P varia de –100 a +100. E, como podem ver na fórmula, ele é o multiplicar de tudo… ou simplesmente pode negativar o resultado (nada de pensamentos negativos, entendeu?).
O pensamento é o filtro, a lente e a energia que direciona o que somos capazes de construir. Ele é o que expande ou limita. É o que transforma a soma da sua capacidade com a sua dedicação em um resultado extraordinário… ou em nada. Não adianta ter talento, esforço, técnica e experiência se o pensamento for pequeno, negativo, sabotador. Por outro lado, um pensamento forte, positivo e amplo é capaz de potencializar todo o resto.
Com o tempo, entendi que o nosso resultado (R) nunca será maior do que a qualidade do nosso pensamento. É ele que determina o tamanho dos nossos passos — e, muitas vezes, o tamanho da nossa própria vida.
E essa consciência, longe de me colocar pressão, me traz clareza. Eu não controlo tudo. Eu não determino todas as circunstâncias. Mas eu determino o que penso, como penso e a força que dou para aquilo em que acredito.
Se tem algo que aprendi na vida é que ambição sem direção vira ansiedade. Mas ambição com pensamento forte, dedicação diária e capacidade construída tijolo por tijolo… isso vira destino. Isso vira história. Isso vira um caminho que, lá na frente, quando eu olhar para trás, vou poder dizer que foi meu — e que valeu a pena.
Marinho Antunes Jr.
Esposo da Flaviane; pai do Gregório; filho da Zeny e do Marinho; executivo do Agro; administrador pela Uniube; especialista em Finanças pela FGV; consultor e professor