A tal busca pelo “propósito” – tão falada e romantizada hoje em dia – passa inevitavelmente pelo autoconhecimento. Eu mesmo, no auge dos meus quase 40 anos, vivo pensando nisso. Para ser bem honesto, não tenho total segurança em afirmar que meu propósito está 100% alinhado ao que faço agora. Talvez esteja. Talvez não. E, sinceramente, talvez mude daqui a um tempo… anos, quem sabe? A verdade é que podemos ser nós mesmos sem necessariamente sermos os mesmos sempre.
Viver de acordo com um propósito é uma empreitada difícil, quase utópica, ainda mais em um país como o nosso, onde tantas potencialidades não conseguem ser exploradas — e, pior, muitas nem chegam a desabrochar. Oportunidades são escassas, irregulares, quase um golpe de sorte. Como desenvolver talento artístico sem incentivo? Como florescer na música sem acesso a um instrumento? Como descobrir uma vocação se a sobrevivência diária consome todo o espaço para experimentação? Os exemplos são inúmeros. Ainda assim, continuo acreditando que faz sentido identificar o que desperta a nossa alma e buscar, mesmo que aos poucos, algum tipo de contentamento fazendo aquilo que, no fundo, você sente que veio ao mundo para fazer.
Também acredito que propósito não é um destino fixo, e sim um movimento. Uma construção contínua, sujeita às viradas da vida, ao amadurecimento, às quedas e aos recomeços. Às vezes ele muda quando mudamos; às vezes ele só aparece quando finalmente silenciamos o barulho externo. E há momentos em que ele simplesmente não aparece — e está tudo bem. Às vezes viver já é propósito suficiente.
Minha proposta, neste meu primeiro texto aqui com vocês, é justamente essa: provocar uma pequena reflexão sobre questões profundamente filosóficas. Você já parou, com calma, para tentar respondê-las?
Quem é você?
O que realmente te faz bem?
O que te move?
Qual é a sua singularidade?
Qual é o seu lugar no mundo?
As respostas para essas perguntas vão muito além do que imaginamos. Encontrá-las — ou ao menos caminhar em direção a elas — pode nos conduzir a uma vida mais plena, mais coerente, mais nossa. Uma vida menos guiada pela expectativa alheia e mais orientada pelo que verdadeiramente pulsa dentro de nós.
Como já dizia Ulisses, na Odisseia: “É preferível uma vida de mortal, como ser humano em um LUGAR CERTO, que uma vida de imortal de deus no LUGAR ERRADO.” E talvez seja isso: não buscamos grandeza, buscamos pertencimento. Não buscamos perfeição, buscamos sentido.
Marinho Antunes Jr.
Esposo de Flaviane, pai de Gregório, filho da Zeny e do Marinho; executivo do Agro; administrador pela Uniube; especialista em Finanças pela FGV; consultor e professor