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Sua reputação recruta mais que o seu anúncio

Mayla Amorim
Publicado em 12/02/2026 às 18:23
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No dinâmico mercado atual, o processo de contratação de um novo colaborador não se inicia no momento em que o RH publica uma vaga ou quando um anúncio é impulsionado nas redes sociais. Ele começa muito antes, na percepção invisível, mas onipresente, que o mercado possui sobre a sua gestão. No mundo dos negócios, a reputação da sua empresa chega aos ouvidos dos melhores talentos antes de qualquer proposta formal.

Mas como transformar essa “fama” em uma estratégia de atração de talentos de alta performance? O conceito central aqui é o Employer Branding (Marca Empregadora). Segundo Sofia Esteves, fundadora do Grupo Cia de Talentos, e a estrategista Lígia Oliveira, a Marca Empregadora é a identidade de uma organização como lugar de trabalho. É o chamado Employer Value Proposition (EVP): o conjunto de ofertas tangíveis e intangíveis que você entrega em troca do talento alheio.

A urgência em adotar essa estratégia é confirmada por dados robustos. Uma pesquisa da Harvard Business Review (HBR) demonstra que empresas que investem na experiência do colaborador e em uma cultura de marca sólida conseguem ser até quatro vezes mais lucrativas. Dados da Glassdoor também indicam que 84% dos profissionais consideram a reputação da empresa como fator decisivo antes de aceitarem uma proposta. No cenário de escassez de mão de obra qualificada, ter uma marca forte não é apenas vaidade, é sobrevivência operacional.

Para sair do campo das ideias e implementar essa cultura, o gestor precisa focar em três pilares fundamentais:

1. Diagnóstico e Narrativa Autêntica: Não se trata de inventar uma cultura corporativa, mas de identificar os valores reais da organização. Como defende Analisa de Medeiros Brum, referência em Endomarketing, a comunicação deve ser transparente. Se o ambiente preza pela inovação disruptiva ou pela estabilidade familiar, isso deve ser o cerne da narrativa para atrair perfis compatíveis.

2. Saúde Organizacional: Patrick Lencioni, em sua obra “The Advantage”, afirma que a saúde organizacional é o maior diferencial competitivo. Empresas saudáveis superam financeiramente suas concorrentes porque eliminam a política interna e a confusão, criando um ambiente onde o talento deseja permanecer.

3. Marketing Interno e Liderança: O líder é indissociável da marca. A forma como a gestão se comunica e reconhece sua equipe cria uma blindagem estratégica contra a rotatividade. O talento de alta performance não abandona uma empresa apenas por questões salariais; ele se retira pela ausência de perspectiva e pelo sentimento de invisibilidade.

Em qualquer setor — do comércio à indústria, de serviços à tecnologia — o capital humano deve ser tratado como o ativo mais valioso. A estratégia de marca interna garante que, quando o anúncio finalmente for para o ar, os melhores profissionais já desejem vestir a sua camisa muito antes de assinarem o contrato. Reputação não se compra; se cultiva com método, estratégia e, acima de tudo, constância.

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