ARTICULISTAS

“A cultura come a estratégia antes do café da manhã”

Nilson de Camargos Roso
n.roso@me.com
Publicado em 28/08/2026 às 18:05
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A frase do título pertence ao pai da administração moderna, Peter Drucker, escritor, professor e consultor administrativo de origem austríaca, defensor da ideia de que não há países subdesenvolvidos, e sim países subgeridos.

O estudioso acreditava que o trabalho do administrador é planejar, organizar, ajustar, medir e formar pessoas, o que se converterá em produção e produtividade, gerando riqueza. Para isso acontecer é necessário haver a valorização da cultura do ser humano. Walt Disney, década atrás, no momento da falência de sua empresa, disse “levem tudo que tenho, mas deixem o meu pessoal”, pois ele sabia que máquinas são facilmente adquiridas, mas a formação de um bom profissional, que depende, entre outros fatores, também da cultura, demorando tempo para ser preparado, não é facilmente encontrado no mercado.

Estratégia é o plano escolhido para usar os recursos existentes e alcançar um objetivo maior, mesmo quando o ambiente muda ou tem rivais, 
definindo onde competir, o que fazer de diferente e como tomar decisões no dia a dia.

É compreensível que um projeto criado por uma empresa, pública ou privada, por mais bem elaborado que seja, no momento da sua implantação, dependerá da cultura dos seus integrantes, que deverão demonstrar compromisso e envolvimento com o projeto. Para isso ocorrer, o nível cultural de cada integrante é importante.

Há 51 anos, em 1975, o professor Aluízio Molinar, durante o ato cirúrgico, falando para os médicos mais jovens, profetizou: “no terceiro milênio, o amarelo, o asiático, disciplinado e trabalhador, vai dominar o mundo”. Está implícito que um cidadão com boa cultura tem esses dois citados adjetivos, que se retroalimentam. Os povos de etnia asiática (Japão, China e os Tigres Asiáticos), com boa cultura (inclui disciplina e trabalho), alcançaram excelente Índice de Desenvolvimento Humano (saúde, educação, segurança pública). É fácil compreender que povos com cultura elevada possuam boas condições sociais.

Não podemos confundir cultura com educação, pois pessoas com escolaridade superior, mas sem cultura, nem sempre são bons exemplos na sociedade. É o caso brasileiro dos integrantes da operação Lava Jato, onde os réus eram empresários engenheiros, administradores e economistas, comprovando que a educação superior não traz imunidade contra a corrupção.

Estamos vendo e ouvindo críticas sobre médicos cooperados da Unimed Uberaba que cobram dos usuários do plano pagamento como pacientes particulares. É ato delituoso que somente pode ter valor em ação judicial quando o próprio cliente lesado faz a denúncia fundamentada e circunstanciada (provas materiais, testemunhais, periciais ou circunstanciais). Na “live” de 25.05.2021, ainda em plena pandemia, cooperados participantes cobraram da Diretoria uma ação contra os colegas transgressores. Esse é um ato negativo da nossa cultura: criticam os administradores por não agirem, mas não oferecem os meios para a comprovação dos supostos fatos, que cabe ao usuário denunciar. Cooperados sabedores dessa irregularidade, devem convencer o beneficiário a fazer a denúncia.
Nessa cultura, “os críticos procuram sempre mexer na brasa, mas com a mão dos outros”, lembrando a citação do ex-presidente John Kennedy: “todos querem exercer influência, mas sem assumir responsabilidades”.

Cada estrutura, entidade, organização ou cidade tem o tamanho da mentalidade de quem a dirige. Ao escolhermos um dirigente para uma empresa, pública ou privada, dentro dos quesitos importantes para a escolha se encontra a cultura. Mais do que nunca, a escolha dos futuros políticos de Uberaba deve ser embasada no pressuposto acima.

Está claro que uma estratégia bem elaborada é precocemente destruída pela deficiente cultura dos seres humanos integrantes dessa cultura.
Comprovação da veracidade do título deste texto: “a cultura dos políticos de Uberaba come a estratégia, impedindo a eleição de deputados estaduais e federais para a nossa cidade”.

Nilson de Camargos Roso

Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, cadeira número 6

n.roso@me.com

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